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Way of the future

Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005 | 12:29 pm

| UPDATE: Após assistir o filme pela segunda vez, mudei bem minha opinião em relação a “O Aviador”. Continuo achando Cate Blanchett especialmente irritante, mas o filme como um todo é excelente. Hoje, dou nota máxima para o filme de Scorcese. Nada como rever um filme e observar os detalhes.

Segue minha crítica inicial:

Eu não contesto que Martin Scorcese seja um dos maiores diretores de cinema de nosso tempo. Também não contesto que Leonardo DiCaprio tenha feito um trabalho arrasador, praticamente a reinvenção de um ator até então considerado um moleque que apenas atraia adolescentes ensandecidas ao cinema.

E da mesma forma, também acho que seja um filme tecnicamente impecável e com cenas maravilhosas. Mas confesso que não entendo todo o rebuliço em torno de “O Aviador”. Talvez por Howard Hughes ser um homem (também) de Hollywood, talvez por ser uma super produção milionária que há tempos estava engavetada. Porém, em matéria de emoção e relacionamento com o espectador, “Menina de Ouro” de Clint Eastwood levaria o Oscar fácil.

“O Aviador” é um filme bom, não contesto isso, mas até certa medida. O começo é arrastado, lento, confuso, chato. Principalmente toda aquela conversinha nos restaurantes que pouco adicionam a história. A Katharine Hepburn de Cate Blanchett é especialmente irritante, e minha torcida foi para que ela saísse de cena o mais rápido possível.

Eu já começava a ver um Scorcese repetindo o mesmo erro de seu trabalho anterior, “Gangues de Nova York, onde utilizava uma narrativa caótica e sem foco que deixava o espectador completamente perdido e sem criar nenhum vínculo com os personagens.

Felizmente o filme engata da sua metade pro final, e ficou claro para mim que o que mais interessava mesmo era Howard Hughes, seus feitos e seus conflitos, e não vê-lo jogando golfe com Hepburn. A cenas mais intessantes são justamente aquelas em que vemos um Hughes visionário, teimoso, ambicioso e dizendo: “não diga que não dá pra fazer”.

Seu depoimento no senado, seu estado de quarentena e os momentos em que o vemos testando suas máquinas são bombásticos, principalmente quando ele se espatifa no chão com seu avião-espião. Foram justamente nessas cenas em que vi um “O Aviador” inesquecível, mas que foi prejudicado por pontos na trama extremamente irritantes.

Claro que toda a excentricidade e nuances da vida do bilionário americano já dariam um ótimo filme, mas Scorcese criou um Howard Hughes de cinema e poderia muito bem ter dado ênfase a alguns fatos em detrimento de outros.

Definitivamente não é o melhor filme de Scorcese, mas ainda assim é um bom Scorcese e pelo conjunto de sua obra merece o Oscar de melhor diretor, mas não de filme. O que “O Aviador” merece é ser reconhecido pelas suas proporções hercúleas, o que não é pouca coisa.

Scorcese criou um épico biográfico e “O Aviador” é minuciosamente uma recriação de época em que nenhum detalhe foi deixado de lado. Visualmente é suntuoso, a começar pelo estilo dos anos 1930 e 1940, que leva o espectador numa viagem à mais de 60 anos.

Porém, que mais me impressionou foram a fotografia e direção de arte do filme. Simplesmente, um colírio para os olhos. As cores utilizadas dão uma intensidade imensa para cada cena e Scorcese nunca abusa dos efeitos especiais, mesmo quando retrata a queda do avião em Beverly Hills.

Outro destaque, como já citei, foi a atuação de Leonardo DiCaprio. O ator consegue retratar Howard Hughes de maneira impressionante em todas as fases, e mesmo com todos os seus distúrbios e transtornos nunca deixa que Hughes se torne uma pessoa abominável. Pelo contrário, terminamos o filme gostando dele e vibrando com os tapas na cara que deu na MPAA, órgão que controla a censura nos EUA e no governo do seu país.

Claro que existiu uma curiosidade em saber como o fim da vida de Hughes seria retratado, já que a cada ano ele passou a ficar cada vez mais recluso e se afundar na sua obsessão, como fica claro nas últimas cenas do filme. Porém, Scorcese terminou no tempo certo e de forma até profética, que reitera aquilo que Hughes buscou durante toda sua vida: o caminho do futuro.

Enfim, “O Aviador” é um filme especial por suas características técnicas e visuais, e como eu disse, deverá ser reconhecido por isso. Mas a falta de foco em diversos pontos da narrativa prejudica o lado emocional do filme e nossa relação com o próprio biografado.

Caregorias/Tags: Cinema
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8 Comentários para “Way of the future”

  1. Água...:
    Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005 - 14:03

    É bom? É, mas longe de ser sensacional.
    Merecia ser indicado em 11 categorias do Oscar? Faz tempo que deixei de acreditar na legitimidade da academia

    Mas depois da metade você acaba fazendo amizade com Hughes, torce por ele de certa forma e até passa aceitar a frescura e antipatia de Hepburn.


  2. Lunatic:
    Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005 - 20:39

    Acho que eu seria um péssimo crítico de cinema. Achei o filme horrível, não prende a atenção, é chato e cansativo e não leva à lugar nenhum. Achei uma verdadeira bomba em relação ao diretor e principalmente à pressão e todos os oscars.


  3. BR@VO:
    Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005 - 20:45

    Concordo. O filme talvez seja confuso porque Hughes era confuso. Sua vida era intensa, mas confusa, característica dos visionários que como ele, contruíram o que nós chamamos de presente, mas pra eles era um sonho. Acho que o filme foi bom, podia ser melhor? Podia. O Leo se superou? Superou. O filme merece a badalação? Não sei, mas Holliwood é assim mesmo. Merigo, assisti Jogos Mortais por sua causa, mas não achei tudo isso não…vou escrever lá.

    Abraços a todos.


  4. airjohnny:
    Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005 - 22:40

    Ae galera, pra quem curte ler críticas de filmes, vejam as opiniões do Pablo Vilhaça no site http://www.cinemaemcena.com.br.

    O cara tem as suas falhas, mas em geral é bom


  5. Agatha:
    Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2005 - 0:17

    Sempre leio o Brainstorm, há pelo menos um ano…
    Mas é a primeira vez que comento…
    Pois foi incrível como vc disse tudo o que eu achei desse filme…
    Parabéns pelo site…
    Beijo


  6. Luciana Antunes:
    Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2005 - 12:15

    Não entendi também a grande expectativa que se formou em torno do filme. Cheguei ao cinema esperando alguma coisa esplenderosa e me decepcionei um pouco.

    Como você disse, o filme realmente surpreende na direção de arte. DiCaprio mostrou seu talento nato, talvez tenha sido um marco para ele, a junção entre o sexy simbol e o grande ator.
    O filme é uma auto-biografia pura, acaba sendo cansativo. Fica difícil encontrar uma posição na cadeira do cinema depois de 2hs e 48min.

    É legal saber um pouco sobre a história de Hughes antes de se aventurar no filme, senti uma tremenda falta de “ganchos”, os espectarores começam a se perder no meio do filme (alguns até vão embora).

    O filme não é ruim, porém, muito específico. Um leigo em história do cinema vai, com certeza, achar o filme chato e morno, não terá uma imagem nítidade quem foi Hughes e muito menos Katharine Hepburn.

    Quem entrar na sala esperando muito vai acabar saindo entediado e com uma tremenda dor nas costas.


  7. Goldemberg:
    Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2005 - 1:42

    Definitivamente, o filme realmente começa do meio para o final. Há uma certa tentativa de colocar a todos dentro da intimidade de Hughes no começo, mas isto acaba conduzindo para uma história um tanto arrastada, cansativa e nada dinâmico. Mas ao final de tudo descobrimos que é um bom filme que possui uma ótima produção, direção de arte, fotografia e a atuação perpicaz de Leonardo di Caprio.

    O erro que pude detectar foi justamente no roteiro produzido por John Logan. Tanto que há reclamações de que muitos se perderam na história. Não sei se este fato se deve por causa do mesmo ter ficado engavetado durante muito tempo, e só após o Di Caprio juntamente com o Michel Mann terem ido em busca de formas para a realizazão do “O Aviador”.


  8. Tássia:
    Terça-feira, 6 de Dezembro de 2005 - 15:44

    Eu discordo da sua posição diante de O Aviador,a respeito,mas não concordo. Primeiro na atuação de Cate Blanchett como Katharine Hepburn,a achei fantástica,e acho que ela demonstrou,´como DiCaprio também o fez,de que o casal deveria ficar juntos no final,e acredito que Cate foi capaz de demonstrar como Katharine era,e DiCaprio também foi capaz de demonstrar que Katharine foi talvez a única mulher quem ele amou realmente,como já foi comprovado,mas acredito que seguir uma biografia ao pé da letra não satisfaça o telespectador e que o
    unico defeito teria sido eles não apostarem que uma grande história como a de Hughes poderia dar certo com uma linda história de amor como Hughes e Hepburn unindo a biografia com a ficção!



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