Arquivo para o mês de Janeiro de 2005
Alexandre, o cara
Muito barulho por nada. Isso resume a implicância da crítica especializada ao falar que “Alexandre”, de Oliver Stone, não passa de uma “superprodução gay”.
O que Stone fez foi relatar a realidade, mostrar com naturalidade como os gregos tratavam com a sexualidade. Existe apenas um único beijo homossexual no filme e algumas declarações de amor, e não aquela orgia que os americanos disseram ser chocante no filme.
Mas isso é só um detalhe. Abri esse texto falando disso, pois é o que mais está gerando comentários desde que o filme estreiou nos EUA. O que importa mesmo, é que “Alexandre”, ao contrário do que dizem, é um filme grandioso.
Tem seus defeitos, lógico, e nem é melhor épico que já assisti e menos ainda o melhor filme de Oliver Stone. Mas mesmo assim, é uma visão magnífica e verdadeira de Stone perante o mito que foi Alexandre, o Grande.
Implicaram até com o sotaque da Angelina Jolie, que interpreta a diabólica Olímpia, mãe de Alexandre. Isso é o de menos minha gente. Vamos observar o modo magistral como Stone cria cada cena. Mesmo sendo um Stone mais entregue as “fórmulas de se fazer um épico de Hollywood”, ainda é um autêntico e audaz Stone. Sim, sim, como você pode perceber, sou fã do Tio Oliver.
Erros e omissões históricas? Sim, “Alexandre” tem de monte. Mas prefiro acreditar que essas licenças foram utilizadas para uma narrativa mais consistente. Acho também que Stone preferiu mostrar muito mais o lado humano do mito, mostrar seus conflitos internos do que se ater apenas a grandiosas batalhas.
Isso poderia ser feito sim, mas talvez Stone deve-se dosar mais a mão entre o psicológico e o militar. Quem não conhece a história de Alexandre, certamente vai sair confuso do cinema, se perguntando: “Porque esse cara era tão fodão do jeito que dizem por aí?” E isso acontece, pois no filme Alexandre parece um cara perdido, chorão e mimado, que nem sequer sabe comandar seus soldados nos momentos de crise.
Outro ponto em que o filme falha é tentar mostrar Alexandre apenas como um grande pluralista, o cara bonzinho que queria que todos os povos vivessem unidos, bebessem e fizessem a festa numa orgia do crioulo doido. Sim, ele também queria isso, mas seus objetivos de conquista do mundo iam muito além de apenas generosidade e uma humanidade em paz.
Aristóteles, figura essencial na criação de Alexandre, aparece um uma única cena e apenas como um mestre sem tanta importância. O filme também peca em perder muito tempo mostrando o interesse de Alexandre nas Índias e em algumas regiões com menos importância história nos feitos dele, do que em ser mais objetivo e nos dizer diretamente porque ele é o cara.
De qualquer modo, é uma história que tem e sempre vai ter inúmeras interpretações. A de Oliver Stone é apenas uma delas, o modo como ele achou que Alexandre deveria ser retratado e o fez assim. Quem achar de outra forma, que faça sua versão também.
Essas são as críticas. Mas não se engane. Alexandre é um ótimo filme. Visualmente é belíssimo, um colírio. A recriação de Babilônia é fantástica. E o que dizer das batalhas? São grandiosas, viscerais, tensas, emocionantes. Através delas, nas tomadas áereas, podemos sentir um pouco do quão estrategista Alexandre era.
Está tudo lá, a lendária Falange reconstituída minimamente com suas lanças de até 6 metros de altura. O discurso de Alexandre (sim, já vimos isso várias vezes em outros filmes) é comovente e cria sobre a platéia a imagem necessária do grande líder.
A segunda (e última) cena de batalha do filme ainda nos reserva melhores momentos. A cavalaria enfrentando os gigantes elefantes indianos é do caralho. Mesmo com suas tropas debilitadas, em desvantagem, Alexandre ainda acredita e convoca a coragem para enfrentar os inimigos. O filtro vermelho que Stone utiliza após a queda de Alexandre, mostra que o diretor não deixou de lado suas excentricidades visuais.
“Alexandre” é um filme que se quisermos procurar defeitos, certamente encontraremos um monte e ficaremos debatendo infinitamente sobre eles. Mas o que a crítica especializada cometeu foi um crime, uma injustiça tremenda contra o filme.
Ao falar do filme, nunca poderemos deixar de citar também a grandiosidade e a emoção do ponto de vista de Stone sobre a vida de Alexandre. Seu colírio visual, sua recriação fantástica de locações e toda a carga emocional do enredo. É um filme com seus erros, sim, mas também com cenas e momentos inesquecíveis.
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Play-Doh
Inteligentíssima essa campanha criada por alunos da Miami Ad School de San Francisco para a Play-Doh da Hasbro, uma marca de massinhas.
Animais feitos em massinha simplesmente devastam com os brinquedos modernos que invadem os lares das crianças. Barbie e seu carro que custa uma fortuna, soldados violentos e videogame, não tem pra nínguem.
A campanha foi, merecidamente, premiada com Ouro no CLIO Awards 2004.



If you have to force, it’s rape
Já falei bastante aqui no Brainstorm #9 sobre as infinitas possibilidades permitidas por uma revista, considerada a mídia mais flexível quando se quer criar anúncios que extrapolem os limites padronizados.
Um ótimo exemplo é esta peça criada pela AlmapBBDO para a Audi, postada aqui no site em Dezembro de 2003. A brincadeira feita com os grampos da própria revista resultavam numa idéia genial.
As possibilidade são inúmeras. Se o cliente estiver disposto a pagar pelas alterações na mídia, a criação pode definitivamente quebrar os padrões. Como nesse interativo anúncio criado pela Lowe da África do Sul para a POWA - People Opposing Women Abuse, um ONG que luta contra o abuso as mulheres.
Quando o leitor tenta folhear a página, percebe que as folhas estão coladas. É possivel ver apenas parcialmente que há uma imagem de pernas femininas sob um lençol.
Ao puxar a folha, o adesivo vai cedendo e rasgando a página. Aí sim é possível enxergar e entender o anúncio. Uma mulher nua deitada de pernas abertas e abaixo o título: “If you have to force, it’s rape (Se você precisa fazer força, é estupro).
Precisa dizer mais alguma coisa?
Intitulada de “Force”, a peça foi premiada com Leão de Prata no Festival de Cannes 2003 e Prata no CLIO Awards 2004.

Designed to save lives
Quem estuda ou trabalha com publicidade, sabe que uma das formas mais fáceis de se conquistar o público, de se causar empatia, é utilizar duas “coisas” bem simples: cães ou bebês. Se der pra usar os dois juntos então, melhor ainda.
Claro que qualquer bichinho, até tartarugas e siris animados ou criança bonitinha, já serve para agradar aquela pessoa mais coração mole. Só que quando o bicho em questão é um cachorro, não tem pra nínguem.
O tal melhor amigo do homem é adorado por quase todo mundo. Por mais babões que sejam, por mais trabalho que dêem aos seus donos, todo mundo quer ter um. Eu também gosto, já tive vários cachorros, mas prefiro gatos. Tenho duas bichanas, que estão aqui do meu lado enquanto escrevo esse texto.
E talvez, só esse amor incondicional que as pessoas tem por cães, explique o sucesso estrondoso do comercial “Dog” da Bridgestone. É um anúncio que foi criado pela BBDO de Bangkok, Tailândia, não conquistou muitos prêmios, apenas uma Prata no AdFest 2003, o Festival Pacífico-Asiático de Publicidade, o mais importante daqueles lados de lá, mas mesmo assim, é um fenômeno de público.
Mesmo após 3 anos de seu lançamento (o comercial foi veiculado pela primeira vez em 2002), “Dog” continua a ser um dos filmes publicitários mais requisitados na internet. Sim, e existem motivos suficientes pra isso.
Um deles é o que o cachorro do comercial parece um ator, o bicho interpreta! E muito melhor do que esses animais de filmes toscos da Sessão da Tarde, diga-se de passagem.
Tudo começa quando o cão vai feliz e contente levar um osso para compartilhar com sua namorada. Só que no meio do caminho, ele pega ela no flagra, o traindo com um bulldog velho.
Ele fica desolado, sai correndo pela cidade e toma uma decisão drástica. Decide se matar. Parado a beira da estrada, ele olha para os carros que passam e lembra da cena que acabara de ver. Sabe que nada mais faz sentido em sua vida, não existem mais motivos para continuar vivendo e então, pula em direção ao tráfego intenso.
Mas, o carro que supostamente iria atropelar o cãozinho, freia no momento exato. A câmera foca a roda do carro e entra então a assinatura com o logo da Bridgestone e o título: “Designed to Save lives” (Criado para salvar vidas).
Sim, pode assistir, gostar e chamar todo mundo pra ver. Eu fiz o mesmo quando assisti pela primeira vez.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 4.83 MB.
Um viral para assustar os seus amigos

Um viral é uma imagem/vídeo/site ou algo que o valha que se espalhe pela internet sem que seu criador precisa fazer muita coisa, a não ser é claro, criar.
Essas fotos engraçadinhas que você recebe por e-mail e repassa para todos os amigos, isso é um viral. Aquela animação non-sense mas hilária que você envia para todos os seus contatos, também é um viral. Os exemplos são inúmeros.
E um viral se propaga de forma avassaladora. Quando começa, ninguém segura mais. Claro que a publicidade nunca deixaria de se aproveitar dessa ferramenta, é por isso que foi criado o chamado marketing viral.
Diversas empresas se especializaram em criar conteúdo virótico, e o fazem de forma bem sutil. Nada é escancarado. Ninguém vai querer passar para os amigos um vídeo dizendo: “Compre tal produto”, mas se for uma animaçãozinha bem bolada, engraçada e que no final traz a url do site de uma empresa, aí sim, isso funciona.
Para você ter uma idéia, existem comerciais produzidos por agências de publicidade que são criados exclusivamente para se tornarem virais. São filmes criativos, inteligentes e engraçados que parecem como qualquer outro bom anúncio, mas que tem como objetivo se espalhar pela internet com a marca da empresa.
Quer um exemplo sensacional de viral? O do filme “White Noise”, que aqui no Brasil se chamará “Vozes do Além”. É uma brincadeira que infelizmente não funciona muito fora de países de língua inglesa, mas não deixa de ser uma idéia fantástica.
O filme com Michael Keaton, que estréia nesta sexta, dia 7, nos EUA e no dia 25 de Março no Brasil, trata de um homem que acredita estar recebendo mensagens de sua falecida esposa através de interferências em transmissões de rádio e televisão. Ele fica tão obcecado que acaba abrindo uma porta para algo indesejável. Claro, um bom mote para muitos sustos.
O trailer já está disponível na internet. Porém, para fazer com que as pessoas divulguem o filme espontaneamente, os produtores criaram um trailer especial que pode ser enviado para assustar seus amigos.
Funciona assim, você escolhe o nome do seu amigo na lista pré-existente, digita o e-mail dele e confirma. Imediatamente a pessoa irá receber uma mensagem com o link para ver algo assustador. Quando seu amigo assistir o trailer, ouvirá seu nome sendo sussurrado no final por uma voz aterrorizante.
É um material virótico de eficiência garantida, mas tem o único porém que só funcionará com pessoas que tem o nome igual ao que está listado no site. Ou seja, se você tem amigos que se chamam George, Charles, John, Lauren, Suzy e por aí vai, a brincadeira vai funcionar, caso contrário. Mas também tem Fred, Hugo Lucas, Amanda, Jennifer e diversos outros nomes que podem servir pra você.
Quer ver como funciona? É só entrar no site Messages From The Dead.
Realidade em cores
Para começar bem 2005, uma sequência fantástica de anúncios criados pela FCB Portugal para a revista Grande Reportagem.
O mote da campanha é dizer que a revista vai lhe mostrar a realidade do mundo. Sob a assinatura “Conheça o mundo em que vive”, cada anúncio mostra a bandeira de um país e uma legenda dizendo o significado atual das cores.
Simplicidade, atualidade e uma idéia genial.
Se você não conseguir ler (pois a legenda ficou pequena na imagem), pode acompanhar o texto abaixo de cada peça.

:: China
Vermelho: Menores de 14 anos que trabalham
Amarelo: Menores de 14 anos que estudam

:: Estados Unidos
Vermelho: A favor da guerra do Iraque
Branco: Contra a guerra do Iraque
Azul: Não sabe onde é o Iraque

:: Brasil
Verde: Pessoas que vivem com menos de 10 dólares por mês
Amarelo: Pessoas que vivem com menos de 100 dólares por mês
Azul: Pessoas que vivem com menos de 1000 dólares por mês
Branco: Pessoas que vivem com mais de 500 mil dólares por mês

:: Angola
Vermelho: Pessoas infectadas com o HIV
Preto: Pessoas infectadas com o vírus da Malária
Amarelo: Pessoas que tem acesso a cuidados médicos

:: Burkina Faso
Vermelho: Crianças que morrem antes de completar um ano
Verde: Crianças que morrem antes de completar três anos
Amarelo: Crianças que alcançam a idade adulta

:: Colômbia
Vermelho: Exportação de Bananas
Azul: Exportação de Café
Amarelo: Exportação de Cocaína

:: Somália
Azul: Mulheres que sofrem mutilação genital
Branco: Mulheres que não sofrem mutilação genital

:: União Européia
Azul: Consumo de petróleo
Amarelo: Produção de Petróleo












