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Alexandre, o cara

Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005 | 12:01 am

Muito barulho por nada. Isso resume a implicância da crítica especializada ao falar que “Alexandre”, de Oliver Stone, não passa de uma “superprodução gay”.

O que Stone fez foi relatar a realidade, mostrar com naturalidade como os gregos tratavam com a sexualidade. Existe apenas um único beijo homossexual no filme e algumas declarações de amor, e não aquela orgia que os americanos disseram ser chocante no filme.

Mas isso é só um detalhe. Abri esse texto falando disso, pois é o que mais está gerando comentários desde que o filme estreiou nos EUA. O que importa mesmo, é que “Alexandre”, ao contrário do que dizem, é um filme grandioso.

Tem seus defeitos, lógico, e nem é melhor épico que já assisti e menos ainda o melhor filme de Oliver Stone. Mas mesmo assim, é uma visão magnífica e verdadeira de Stone perante o mito que foi Alexandre, o Grande.

Implicaram até com o sotaque da Angelina Jolie, que interpreta a diabólica Olímpia, mãe de Alexandre. Isso é o de menos minha gente. Vamos observar o modo magistral como Stone cria cada cena. Mesmo sendo um Stone mais entregue as “fórmulas de se fazer um épico de Hollywood”, ainda é um autêntico e audaz Stone. Sim, sim, como você pode perceber, sou fã do Tio Oliver.

Erros e omissões históricas? Sim, “Alexandre” tem de monte. Mas prefiro acreditar que essas licenças foram utilizadas para uma narrativa mais consistente. Acho também que Stone preferiu mostrar muito mais o lado humano do mito, mostrar seus conflitos internos do que se ater apenas a grandiosas batalhas.

Isso poderia ser feito sim, mas talvez Stone deve-se dosar mais a mão entre o psicológico e o militar. Quem não conhece a história de Alexandre, certamente vai sair confuso do cinema, se perguntando: “Porque esse cara era tão fodão do jeito que dizem por aí?” E isso acontece, pois no filme Alexandre parece um cara perdido, chorão e mimado, que nem sequer sabe comandar seus soldados nos momentos de crise.

Outro ponto em que o filme falha é tentar mostrar Alexandre apenas como um grande pluralista, o cara bonzinho que queria que todos os povos vivessem unidos, bebessem e fizessem a festa numa orgia do crioulo doido. Sim, ele também queria isso, mas seus objetivos de conquista do mundo iam muito além de apenas generosidade e uma humanidade em paz.

Aristóteles, figura essencial na criação de Alexandre, aparece um uma única cena e apenas como um mestre sem tanta importância. O filme também peca em perder muito tempo mostrando o interesse de Alexandre nas Índias e em algumas regiões com menos importância história nos feitos dele, do que em ser mais objetivo e nos dizer diretamente porque ele é o cara.

De qualquer modo, é uma história que tem e sempre vai ter inúmeras interpretações. A de Oliver Stone é apenas uma delas, o modo como ele achou que Alexandre deveria ser retratado e o fez assim. Quem achar de outra forma, que faça sua versão também.

Essas são as críticas. Mas não se engane. Alexandre é um ótimo filme. Visualmente é belíssimo, um colírio. A recriação de Babilônia é fantástica. E o que dizer das batalhas? São grandiosas, viscerais, tensas, emocionantes. Através delas, nas tomadas áereas, podemos sentir um pouco do quão estrategista Alexandre era.

Está tudo lá, a lendária Falange reconstituída minimamente com suas lanças de até 6 metros de altura. O discurso de Alexandre (sim, já vimos isso várias vezes em outros filmes) é comovente e cria sobre a platéia a imagem necessária do grande líder.

A segunda (e última) cena de batalha do filme ainda nos reserva melhores momentos. A cavalaria enfrentando os gigantes elefantes indianos é do caralho. Mesmo com suas tropas debilitadas, em desvantagem, Alexandre ainda acredita e convoca a coragem para enfrentar os inimigos. O filtro vermelho que Stone utiliza após a queda de Alexandre, mostra que o diretor não deixou de lado suas excentricidades visuais.

“Alexandre” é um filme que se quisermos procurar defeitos, certamente encontraremos um monte e ficaremos debatendo infinitamente sobre eles. Mas o que a crítica especializada cometeu foi um crime, uma injustiça tremenda contra o filme.

Ao falar do filme, nunca poderemos deixar de citar também a grandiosidade e a emoção do ponto de vista de Stone sobre a vida de Alexandre. Seu colírio visual, sua recriação fantástica de locações e toda a carga emocional do enredo. É um filme com seus erros, sim, mas também com cenas e momentos inesquecíveis.

Caregorias/Tags: Cinema
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15 Comentários para “Alexandre, o cara”

  1. Água...:
    Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005 - 12:52

    assisti ao filme ontem e tenho minhas observações a fazer:
    - a cena mais bonita, na minha opinião, é aquela na qual Alexandre é atingido (ultima cena que você colocou em destaque nas imagens). [só citei isso porque não revelaria nada do conteúdo do filme]
    - Angelina Jolie está incontestavelmente linda, mas acho que ela poderia ter envelhecido.
    - o filme é longo demais. acredito que ele poderia ter meia hora a menos, sem prejuízo.
    - historicamente, o roteiro ficou confuso. Eu, assumindo minha ignorância, fiquei perdida muitas vezes.

    Beijo, Carlos


  2. Rafael:
    Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005 - 15:29

    Polêmicas à parte, pode ser uma droga ou não, mas, só de ter a Angelina Jolie, para mim já vale a pena o ingresso. Falei!


  3. Wit:
    Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005 - 15:48

    Carlos, quando vai ter mais cds Brain #2?

    Please! Dá um jeito nesse esgotado!


  4. Ana Fleming:
    Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005 - 16:30

    Tbm achei q a Angelina podia ter envelhecido. Ela naum convence no papel de mãe. Mas enfim…eh a Angelina.

    Outra, Colin Farrel naum teve nem um pouco de química com o personagem. Acho q a escolha do protagonista ficou a desejar.

    E concordo com vc, recursos técnicos BRILHANTES!

    Sou frequentadora assídua daki. Vou começar a comentar mais!

    Mil bjos! =***********


  5. Elioney D. Vieira:
    Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005 - 18:03

    Nunca de bola pra esses criticos… eles ganham dinheiro “avacalhando” as grandes obras cinematograficas.
    Acho que devem assistir o filme milhares de vezes, esquecem de suas familias e suas vidas pra ficar la, de prontidão pra achar um erro futil.
    Fala serio, ne? O filme chega a ser tão magnifico como o foi o proprio Alexandre!


  6. Perk:
    Terça-feira, 18 de Janeiro de 2005 - 15:08

    Desculpem-me por acabar com as fantasias conspiratórias de alguns, mas os críticos não passam noites em claro pensando em “como vou ferrar o próximo filme”…
    Crítica é uma coisa muito subjetiva, mas assisti o Alexandre, adoro cinema, adoro a história deste grande conquistador e achei o filme extremamente fraco.
    Um homem que conquista mais de 80% do mundo conhecido e que tinha fama de mandar com “mão de ferro” não poderia ter o perfil de garoto mimado e perdido.
    O homosexualismo era aceito (e muitas vezes admirado) na época em questão, mas o homem “afeminado” era uma coisa inexistente!
    A verdade é que Stone fez uma obra com um dos personagens mais interessantes da História e o resultado foi um filme monotóno, que não consegue “fluir” e que não obteve sucesso em agradar a crítica, o grande público ou as pessaoas que conhecem um pouco de Alexandre. O único´público que o Diretor atingiu foi o delimitado pelos seus fãns, e eu particularmente não vejo grande mérito nisso.


  7. Evel Ryu:
    Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2005 - 9:50

    Olá Carlos,
    Vim agradecer aqui o comentário que você fez lá no sedentário e o link na seção telepatia.
    Fiquei muito feliz pelo apoio dado principalmente levando-se em conta que vem do administrador de um dos melhores blogs da internet.
    Valeu cara!


  8. BR@VO:
    Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2005 - 15:58

    Oh Merigo! Cara, vc é um cara inteligente. Essa pagina é prova disso. Mas, essa paixão por Stone, não dá! Respeito sua opinião sobre o filme, mas dizer que a crítica destruiu o filme injustamente não dá! Alexandre foi um dos maiores, se não o maior guerreiro de todos os tempos. Foi um homem exepcional, que, segundo os historiadores, nunca hesitou na frente de seus homene, nunca demosntrou medo. Era viado, mas não afeminado. E morreu por exesso de alccol numa orgia, e não envenenado. Oliver criu um filme lindo, tecnicamente, mas destruiu com alexandre. No filme ele não é uma sombra do que foi. Fazer adaptaões em romances vai lá, mas reinventar a história não dá não! Tá parecendo novela das 8, muito bem feita, mas com que conteúdo? Tb gosto de Oliver, mas em Alexandre, ele deixou muito a desejar.

    Abrço a todos!


  9. Fernando:
    Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2005 - 17:02

    Bem…Adoro filmes e principalmente histórias de guerreiros. Mais o que eu vi foi o filme de um viadinho medroso comandado pela mãe. E por sinal, UMA MÃE.


  10. Caio:
    Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005 - 0:47

    “O que Stone fez foi relatar a realidade, mostrar com naturalidade como os gregos tratavam com a sexualidade”.

    Alexandre era da macedonia e os macedonicos eram verdadeiros barbaros.

    Eh isso.


  11. Riponga:
    Sábado, 29 de Janeiro de 2005 - 10:18

    Ja assisti Tróia e ontem assisti esse filme. Dormi nos dois de tão chatos esses filmes. Argh, nunca mais assisto esses filmes épicos ae…


  12. dating:
    Terça-feira, 1 de Março de 2005 - 14:52

    nude, naked pics


  13. JEORGE:
    Terça-feira, 30 de Agosto de 2005 - 19:19

    ALEXANDRE O VIADINHO …
    UHM UHM UHM HEROI A LA CAPITÃO GAY


  14. José:
    Sexta-feira, 17 de Março de 2006 - 2:59

    Assisti ao filme esta semana e achei-o ótimo, uma maravilha visual e com excelente conteúdo.
    As pessoas devem entender que a mais de 2.300 anos os valores eram outros.
    Respeitava-se mais o ser humano, hoje em dia vivemos sob dogmas pré-estabelecidos.
    Alexandre foi uma pessoa com seus defeitos e qualidades. Porém como diz no filme os seus defeitos suplantavam em muito as virtudes da maioria. E Oliver Stone mostrou isso em seu filme perfeitamente. Não como a maioria dos filmes épicos, mas sim com conteúdo.
    Para mim foi um filme grandioso para ser visto e revisto diversas vezes.
    Abraços.


  15. Karen:
    Sábado, 13 de Janeiro de 2007 - 8:36

    nao tenho nem o q falar achei o filme ótimo!!!



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