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Arquivo para o mês de Janeiro de 2005

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Hit The Road Jack

Domingo, 30 de Janeiro de 2005 | 13:23

Quando faltam idéias originais, Hollywood costuma recorrer as biografias. Tivemos uma batelada de cine-biografias nos últimos anos, e teremos ainda mais daqui pra frente. Três dos cinco longas indicados a Melhor Filme no Oscar, são baseados na vida de alguém.

“Em Busca da Terra do Nunca” conta a história de James Matthew Barrie e sua amizade com uma família que o inspirou a escrever Peter Pan. “O Aviador” traz a visão de Martin Scorcese sobre o excêntrico milionário Howard Hughes. E finalmente “Ray”, que conta a vida de uma das figuras mais importantes para a música no século XX: Ray Charles.

Cine-biografias geralmente causam polêmica. Muitos acusam de mudarem a história ou modificarem fatos importantes da vida da personalidade retratada. Vide “Alexandre” de Oliver Stone, alvo de críticas por não ser tão fiel a história quanto deveria ser.

Porém, o que muita gente não leva em consideração, é que filmar uma biografia nada mais é do que a visão do diretor sobre determinada persona, o modo como ele acredita que o biografado deveria ser retratado. Mas isso não poderemos dizer de “Ray”, já que o filme de Taylor Hackford, o mesmo diretor de “O Advogado do Diabo”, é como uma biografia oficial de Ray Charles.

O músico ainda era vivo quando o filme estava sendo produzido e participou ativamente dele, não apenas como co-produtor, mas dando toda a assessoria possível e, claro, modificando a história a sua vontade. Ou seja, o biografado deu suas versões dos fatos e endossou o que aparece na tela.

Talvez isso explique o fato de que “Ray” ignore algumas passagens da vida de Ray Charles, como seu primeiro casamento, por exemplo. Mas de qualquer forma, cortes são necessários ao se fazer uma biografia, tanto para dar ênfase aos fatos mais relevantes como para se criar uma narrativa dramática o suficiente, caso contrário, o filme se tornaria um documentário.

“Ray” foi eficiente nesse aspecto. Apesar de nunca sair do convencional, o filme consegue fisgar o espectador ao mostrar a relação do pequeno Ray com sua mãe e contar a ascensão do jovem negro e cego ao estrelato e posto de gênio da música.

Ao invés de cronologicamente, a infância do músico é mostrada com flash-backs que pontuam a história em diversos momentos, o que felizmente torna o drama mais dinâmico. E essas são algumas das melhores cenas do filme, mostrando a morte do irmão caçula de Ray e a educação dada por sua mãe para tornar o filho independente.

São passagens emocionantes, essenciais para observarmos a força da mãe de família, que mesmo vivendo na pobreza e enfrentando a morte de um filho e a doença que cegou o outro, soube lutar e educar muito bem. E também, claro, o ponto inicial que deu a Ray condições de se tornar o que tornou.

Também ficam claras todas as adversidades sofridas por Ray. Em época de segregação racial, um negro e deficiente visual parecia ter tudo para se tornar dependente dos outros e completamente entregue aos preconceitos. Porém, sua extrema acuidade musical lhe abriu as portas.

O filme é perfeito ao retratar a forma como a carreira de Ray dá um salto. A músicas escolhidas para isso não poderiam ser melhores e tornam, como todos esperam, o filme muito musical. A genialidade de Ray durante o improviso na composição de suas músicas, a forma como ele era ligado em novas tecnologias e estava sempre aberto a experimentar os mais recentes equipamentos, e sua luta contra o racismo também estão lá.

Taylor Hackford não hesita em mostrar o envolvimento do músico com as drogas e sua relação com diversas mulheres, o que acabava minando sua vida familiar. Também fica clara a capacidade de Ray de negociar, mudando de gravadora e preocupado em fazer seu dinheiro render, mesmo considerando estar como uma família na Atlantic Records.

Mas, como eu disse alguns parágrafos acima, “Ray” é de forma geral um filme convencional. E talvez por isso seria apenas mais um e eu não teria gostado tanto se não fosse por um simples motivo: Jamie Foxx.

O cara, que em Colateral já tinha mandado muito bem, faz uma interpretação mediúnica. Quando olhamos para ele em cena, não estamos vendo um ator, e sim o Ray Charles em pessoa. Todos os trejeitos, modo de falar, de tocar. Foxx representa tudo de forma minimalista. E é por causa dele que “Ray” se torna um filme grandioso e emocionante.

Sua atuação é que dá o sentimento necessário a história e faz com que “Ray” seja uma biografia poderosa, um retrato revigorante de Ray Charles. Eu poderia dizer que apenas as músicas já seriam motivo suficiente para ir ao cinema, que a história do mito já é interessante o bastante, que o drama de sua infância é emocionante, porém, é Jamie Foxx que faz valer o preço do ingresso.

É uma pena que o diretor quebre um pouco o encanto ao mostrar Jamie sem a maquiagem que o deixa cego, e faz Ray enxergar em uma de suas alucinações com a droga. Cena completamente dispensável.

De qualquer maneira, se ele não levar o Oscar de Melhor Ator, podendo perder para Leonardo Dicaprio, será uma das maiores injustiças que a academia já cometeu em todos os seus 77 anos de existência. Só para lembrar, além dessa, “Ray” tem outras 5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor, Figurino, Edição e Mixagem de Som.

Além de suas qualidades como filme, também gosto de citar outra grande eficiência de “Ray”: Fazer muitos redescobrirem a obra desse grande gênio da música e ainda mostrá-la para as novas gerações, tão entediadas com lixos despejados por boys bands, estrelas “virgens” e bandinhas da moda.

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Singin’ in the Rain

Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005 | 17:46

A Volskwagen foi notícia essa semana no meio publicitário. Primeiro por causa do comercial “falso” para o Polo, onde um terrorista tenta se explodir dentro do carro em frente um a café, mas sem sucesso.

Bem na linha de toda a campanha do Polo lá fora, que diz que ele é pequeno mas muito robusto, forte, aguenta o tranco. Se é fake? Dúvido. É muito bem produzido, e inclusive ponho minha mão no fogo como foi bancado pela própria VW.

Esse tipo de vídeo é criado para se tornar um viral, para as pessoas passarem uma pras outras e levarem a marca da empresa gratuitamente pelo mundo afora. Só que nínguem precisa saber disso. Nínguem fala. Aí a Volkswagen diz que não tem nada com isso, ameaça processar os “criadores” desse vídeo e todo mundo acredita na balela.

Assim, a empresa não precisa arcar com os eventuais custos morais, éticos e até financeiros que teria se veiculasse um comercial desse na TV. Se quiser conferir, clique aqui para fazer o download do vídeo em formato .WMV.

Mas o assunto desse post não é o comercial do homem-bomba, e sim o outro motivo pelo qual a Volkswagen agitou a publicidade na última semana: o anúncio para o novo Golf GTI.

Lançado ontem na Inglaterra, o filme recicla a antológica cena em que Gene Kelly dança na chuva no clássico “Cantando na Chuva”. Combinando cenas originais com novas sequências em computação gráfica, o comercial mostra Kelly dançando passos de break.

Dançarinos com maquiagem gravaram as novas cenas, onde depois aplicaram o rosto de Gene Kelly. No final, entra a assinatura: “Novo Golf GTI. O original, atualizado.”

Intitulado de “Singin’ in the Rain”, o filme foi criado pela DDB de Londres. Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 5.64 MB.

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Placares impossíveis (ou quase isso)

Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005 | 11:43

Quer ver um exemplo genial de Marketing de Guerrilha? Esse pequeno anúncio criado pela Saatchi & Saatchi da Polônia para o Playstation 2.

Na seção de esportes de um famoso jornal polonês, foi colocada uma pequena nota como se fosse uma notícia: “Polônia 5 x 1 Brasil”.

Os leitores se espantavam, pois como era possível aquele placar, devia ser um sonho. Ao olhar mais atentamente, em letras míudas estava escrito: “Playstation 2. This is Football.”

A idéia é mostrar que jogando futebol no Playstation 2, você pode fazer o placar que quiser, realizando verdadeiros milagres como a Polônia golear o Brasil.

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O amor como ele é

Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005 | 12:44

“Closer - Perto Demais” é definitivamente um filme de gente grande. Depois de um zilhão de animações, super-produções com efeitos especiais e uma tonelada de personagens de quadrinhos, já estava fazendo falta uma história simples, sincera e bem contada.

Não que eu não goste das psicodelias visuais de Hollywood de vez em quando, mas desde “Peixe Grande” e “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” que eu não via um texto tão bom. Aliás, a origem teatral de Closer é o que dá ao filme essa qualidade.

Os diálogos são cruéis, verdadeiros, um tapa na cara atrás do outro. Pois ao contrário da fantasia adolescente que nos é vendida no cinema e na televisão, Closer trata os relacionamentos humanos com um sinceridade incrível, sem floreios nem hipocrisia.

Os quatro personagens do filme parecem verdadeiros mestres na arte de usar as palavras, e eles se valem “apenas” delas para atingir suas próprias satisfações pessoais ou passar como um trator por cima de outra pessoa. São diálogos tão envolventes, que é impossível não querer que os personagens continuem discutindo após o término de cada cena.

Claro que nada disso seria possível sem um elenco que soubesse o que fazer com um roteiro desses na mão. Mas o casting do filme parece ter sido perfeitamente escollhido. Uns melhores que os outros, é verdade.

Apesar de Jude Law e Julia Roberts segurarem bem a bola, Clive Owen e Natalie Portman são as duas surpresas aqui. Principalmente Owen, no papel do médico que de início se mostra pervertido, se auto-intitula um troglodita mas consegue manipular quem quer quando se dá conta do espírito da coisa. A cena dele e de Jude Law no consultório é longamente divertida, assim como a conversa dos dois através de um chat.

E como era de se esperar, tanto Clive Owen como Natalie Portman acabaram de ser indicados ao Oscar respectivamente para ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

O diretor alemão Mike Nichols é daqueles que só abre a boca quando tem algo importante pra falar. Sua carreira não é feita de um filme atrás do outro como um turbilhão, e sim de poucas mas excepecionais produções. E assim ele fez mais uma vez com “Closer”.

Nichols não se deixa levar por egos, controla o de seus atores muito bem e só entra em cena quando necessário. Seu foco no rosto e nas expressões dos personagens dá ainda mais valor ao texto do filme.

Os pulos na narrativa também são essenciais para segurar o espectador. Ao invés de perder tempo com melodramas e mostrando cenas de casamento, sexo e etc, Nichols dá um salto de meses na história para chegar ao ponto que realmente interessa. Só acho que ele não precisava ter cortado as cenas de nudez da Natalie Portman, mas tudo bem, isso é outra discussão…

O começo de um romance, a conviviência, o deixar de amar, o se apaixonar por outra, a traição e a confusão no meio disso tudo é retratada em cada momento do filme. Até perguntas fatídicas e com respostas arrasadoras como “ele transa melhor do que eu?” estão lá.

“Closer” é um retrato sincero do amor. Em nenhum momento afirma que ele não existe, mas nos mostra como seriam os relacionamentos se todos resolvessem dizer a verdade, mesmo que isso provoque fúria e dor do outro lado. E fugir do “você merece uma pessoa melhor do que eu…” é um dos grandes méritos do filme, que com certeza já está entre os melhores do ano.

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Página Dupla

Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005 | 14:04

Sou completamente fã dessa campanha criada pela Colenso BBDO da Nova Zelândia para o estúdio do fotógrafo Julian Wolkenstein, especializado em fotografia publicitária. Ela brinca com um detalhe, ou melhor, uma dificuldade tão característica, que é impossível não achar graça.

Porém, é uma campanha tão segmentada, que só vai entender a piada quem é diretor de arte ou já criou algum anúncio de página dupla para uma revista.

Quando se faz um anúncio de página dupla, é preciso calcular a área que será consumida pela dobra da revista. Geralmente o que se faz nesse tipo de peça, e deixar um espaço de alguns centímetros entre os elementos que ficam entre a primeira e a segunda página, bem no centro, para que parte texto e da imagem não sumam dentro da dobra.

Com o texto é fácil resolver. Você aumenta o espaçamento entre uma palavra e outra e evita que ela caia bem em cima da dobra. Já com uma foto, o trabalho fica mais difícil e se uma parte importante da imagem ficar na dobra, pode prejudicar a leitura.

Então, não seria bom que esse problema fosse resolvido já na hora de tirar a foto? É justamente essa a idéia dessa campanha da Colenso: mostrar que o fotógrafo Julian Wolkenstein é tão especializado em publicidade, que se preocupa com a questão da dobra desde o primeiro momento e, dessa forma, facilita a vida dos diretores de arte.

Para demonstrar essa idéia, os anúncios trazem fotos corriqueiras onde as pessoas no meio da imagem ficam completamente espaçadas uma das outras. Mais divertido ainda é observar os detalhes. Como na foto da classe escolar, onde até as palavras escritas no painel estão separadas. Ou na foto do torneito da terceira idade, onde uma das alças do trófeu está com a senhora do outro lado da página.

A assinatura dos anúncios diz apenas: “Julian Wolkenstein. Fotógrafo Publicitário”. Simples e genial.

A campanha foi premiada com Prata no CLIO Awards 2004.

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“Robert De Niro” (American Express) by Martin Scorcese

Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2005 | 14:51

Quando artistas famosos (artista de verdade, com credibilidade) cedem sua personalidade ou até mesmo apenas a voz para o mercado publicitário, a discussão sobre o feito se torna acalorada.

Aqui no Brasil nem tanto, mas nos EUA e Europa é diferente. Para uma celebridade de renome vender um produto, precisa existir uma causa nobre. Caso contrário, muita gente cai matando em cima.

Não precisamos ir muito longe para citar exemplos. Recentemente Bob Dylan cedeu uma de suas músicas para um comercial da grife Victoria’s Closet. O resultado? Foi quase trucidado pelos seus fãs.

Aqui no Brasil também temos um caso que aconteceu não faz muito tempo. O Joelmir Betting você conhece, é uma referência no jornalismo econômico brasileiro. Porém, quando ele decidiu fazer uma campanha publicitária para o Bradesco, só faltou o mandarem pra cadeira elétrica.

Começaram as discussões sobre ética, profissionalismo e etc. Pois como podia um profissional de prestígio na área econômica falar em nome de um grande banco? Joelmir foi demitido da Globo por causa do episódio e a imprensa toda ficou em polvorosa.

Não vou aqui ficar discutindo ética, acho que cada um deve ter seu próprio conceito de ética. Mas o que eu não entendo, é porque certos setores da sociedade têm ojeriza ao mercado publicitário. Fazer um comercial é crime? Uma celebridade emprestar seu prestígio para falar em nome de uma empresa é antiético? Desrespeito aos fãs? Perda de credibilidade?

Robert De Niro é um ator renomado, aclamado no mundo inteiro. Seu nome no elenco desperta curiosidade nos fãs de cinema. Mas esses mesmos fãs o crucificaram por ter feito no mês passado um comercial para a American Express.

É um filme criado pela Ogilvy de Nova York e dirigido por ninguém menos que Martin Scorcese, que nesta semana levou três Globos de Ouro com seu “O Aviador”.

Scorcese e De Niro são velhos de guerra, já filmaram juntos em “Taxi Driver”, “Os Bons Companheiros”, “Casino”, entre outros. E se juntaram novamente para fazer uma declaração de amor a cidade de Nova York neste comercial da American Express. Algo que não é muito difícil para eles, já que ambos nasceram na cidade e já declararam que são apaixonados pela Big Apple diversas vezes. Mas claro, no caso do anúncio, foi também em nome dos milhões de dólares que receberam para tal.

Mas independente disso, é um belo comercial. Muito melhor do que a campanha do HSBC para homenagear os 450 anos de São Paulo no ano passado, diga-se de passagem.

O filme começa mostrando a diversidade cultural de Nova York, com pessoas de várias partes do mundo. Então entra De Niro dizendo um texto maravilhoso: “My oldest friend, My first love, My east, My far east, My west side, My private side, My heartbreak, My heartbeat, My life happens here, My card is American Express.”

A trilha sonora é perfeita e só Scorcese para captar esse sentimento por Nova York. Ele que é um profundo conhecedor e amante da cidade, que já a filmou e a retratou das mais diversas maneiras.

É claro que tem o clichê de falar “My card is American Express” no final, mas alguém precisa pagar por tudo isso, alguém deu o dinheiro e fez um planejamento estratégico para ter sua marca atrelada a essa obra cinematográfica.

Não vejo de que forma isso pode ser oneroso para De Niro ou até mesmo para Scorcese. No meu ver, suas credibilidades permanecem intactas, e não vai ser um comercial de cartão de crédito que me fará crucificá-los e questionar seus propósitos daqui pra frente

Dizem que a nova campanha da American Express, que conta ainda com mais dois comerciais estrelados pelo jogador de golf Tiger Woods e pelo surfista profissional Laird Hamilton, foi feita sob medida para quebrar um pouco a rejeição que os europeus tem perante a marca. Se estão conseguindo, ainda não sabemos, mas a polêmica foi lançada.

Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 7.04 MB.

Categorias/Tags: American Express, Bancos e Seguros, TV/Film
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Ibest 2005: Duas sem sair de cima

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2005 | 18:08

O Brainstorm #9 é oficialmente um TOP10 do Prêmio Ibest 2005 na categoria Blog.

Agradeço a todos os visitantes que reservaram um tempinho para votar no site e pelo segundo ano consecutivo colocaram o Brain#9 entre os 10 melhores.

Mas agora começa a corrida para chegar ao TOP3, e para isso, o site só depende de você (mais uma vez).

Ao participar você concorre a um Peugeot 206, que será sorteado no dia 17 de Maio durante a cerimônia de premiação.

A votação entre os TOP10 vai até o dia 17 de Março. Portanto, ajude o Brainstorm #9 a ficar entre os melhores blog da internet. Não custa nada, é rapidinho e você ainda pode ganhar um carro 0km. :)
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“Mustang” (Guinness) by Anthony Minghella

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2005 | 13:45

Hoje e amanhã comentarei aqui no Brainstorm #9 dois comerciais de diretores famosos. Mais do que simples anúncios, eles criam filmes. É mais do que nunca a linguagem cinematográfica atrelada a uma marca.

O comercial de hoje é uma super-produção para a cerveja Guinness, criado pela agência Abbott Mead Vickers BBDO de Londres e por Anthony Minghella, diretor de filmes como “O Paciente Inglês” (1996), “O Talentoso Ripley” (1999) e o chatíssimo “Cold Mountain” (2003).

A Guinness não é apenas uma cerveja, é uma lenda. Sua história teve início em 1759, quando Arthur Guinness alugou uma fábrica em Dublin e começou a produzir sua cerveja. Em 1862, quando adotou a Harpa Irlandesa como símbolo, Guinness já fazia parte da vida da Irlanda.

São quase 300 anos de história, e a receita de malte irlandês, água de Dublin, lúpulo e levedura fazem da Guinness praticamente uma refeição. Comercializada em 155 países, a cervejaria possui 80% de participação no mercado mundial de cerveja preta.

Ao redor do mundo, 170 mil pubs consomem 10 milhões de copos (pints) de Guinness diariamente. Os top-pubs do centro de Dublin cobram entre 4 a 5 euros por um “pint” de Guinness, ou seja, mais ou menos 13 reais por um copo de cerveja. E aqui no Brasil não é diferente, o preço varia de 8 reais por uma latinha no supermercado até, pasmem, 20 reais pelo “pint” em qualquer bar de respeito.

E assim como pede a marca, toda a comunicação da Guinness durante anos, que conta com comerciais clássicos, vem sendo colocar a cerveja como uma lenda. Beber uma Guinness é mais do que tomar uma geladinha para refrescar, é se libertar, desfrutar de um momento prazeroso. Ver a escuridão de uma Guinness é encontrar a luz.

E esse posicionamento fica ainda mais claro no comercial “Mustang”. Aqui prisioneiros de Los Angeles são levados para um rancho no deserto. Lá, como parte de sua reabilitação, os homens são ensinados a domesticar cavalos selvagens.

A maioria deles tenta fazer isso montando o cavalo, mas sem sucesso. Um dos prisioneiros, que nos foi apresentado no início do filme, olha o animal e decide abrir a porteira para lhe deixar livre. Policiais levam o homem atrás do cavalo, e dizem que se ele o deixou escapar, agora terá que trazê-lo de volta.

Eles encontram o animal e o prisioneiro monta no cavalo e foge através do deserto. Entra então a assinatura da Guinness com o título: “Out of darkness comes light”.

A idéia principal é criar uma história que mostre que a força não é a resposta. É preciso primeiro conquistar a confiança, para aí sim conseguir domar o cavalo. Aí, faça um paralelo com a história do homem preso e você descobrira o significado do filme.

Esse sentimento utilizado no anúncio se encaixa perfeitamente com o público consumior da cerveja, e conta uma simples história com poder dramático para agregar esse valor a marca.

O projeto também contou com a participação do cinematografista Janusz Kaminski, responsável por diversos filmes ao lado de Steven Spielberg como “A Lista de Schindler”, “Minority Report”, “O Resgate do Soldado Ryan” e até do vindouro “Guerra dos Mundos”.

O anúncio foi gravado durante todo o mês de Julho no ano passado, que além de cenas em Los Angeles, teve como locação Tejon Ranch, o segundo maior rancho do Estados Unidos, do tamanho de Rhode Island.

“Mustang” consumiu 15 milhões de libras, ou seja, mais de 76 milhões de reais em sua produção e veiculação. Segundo Minghella, essa é uma história de escuridão e luz. Como obra cinematográfica vem sendo aplaudida, mas continua causando muita discussão na indústria publicitária quanto a sua eficiência.

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