Arquivo para o ano de 2004
AA
Criado pela J.W. Thompson, este anúncio para os Alcóolicos Anônimos faz uma aventura visual para comunicar de forma extremamente simples.
Dois bancos vazios, duas letras A, duas pessoas que o AA tirou do alcoolismo.
É uma peça que funciona de forma global, pois além de tudo, a marca AA carrega uma representividade própria em todo mundo.
Além do Shortlist no Festival de Cannes 2004, o anúncio ganhou recentemente o Bronze no Festival de Nova York 2004.

| Hoje no Passado |
- 2007: Fiat Punto | Heroína — Gostei bastante do mais recente filme da campanha do Fiat Punto, que estreou na TV nesse fim de semana. Criado pela [...]
- 2005: Kong is King — Por ser um personagem icônico, uma refilmagem de “King Kong” já seria motivo suficiente para causar uma corrida aos cinemas. [...]
Playtime is over
Depois de “Getting Dressed” do Axe/Lynx, que como eu disse considero um dos melhores comerciais do mundo, um dos premiados em Cannes este ano que mais gostei foi o “The Toys” da Peugeot.
É um filme criado pela BETC Euro RSCG de Paris para o lançamento do novo Peugeot 407, um carro que veio para substituir os atuais modelos das famílias 504, 405 e 406 da fabricante francesa.

O grande desafio desse segmento é que ele compete diretamente com as gigantes alemãs, ou seja, Mercedes, Audis e BMWs. E sem perder o sucesso trilhado pelo modelo anterior, o 406, a campanha precisaria posicionar o veículo também como uma referência de qualidade e design, tal qual acontece com os alemães.
Com esse “problema” na mão, o caminho escolhido pelos criativos foi mostrar o novo 407, essencialmente, como um carro com corpo latino e alma germânica, como uma nova geração nessa classe de automóveis.
Para tanto, o anúncio faz uma brincadeira com carrinhos de brinquedo em uma excelente aventura visual. Todos os carros mostrados na cidade são brinquedos, exceto o novo Peugeot 407, que desfila imponente nas ruas.

Tem todo tipo de carrinho, vemos até uma loja de carros de brinquedos e um motorista guardando seu carro dentro da caixa. Também tem a polícia multando, gente chutando seu carro de brinquedo que quebrou e todo tipo de situação surreal.
No final, entra o título: “A brincadeira acabou”, seguido da assinatura do Peugeot 407. Uma bela sacada e também uma forma sutil de mostrar a superioridade do carro da Peugeot sobre seus tradicionais concorrentes, no caso, os alemães.

“The Toys” foi premiado com Leão de Ouro no Festival de Cannes 2004.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 4.81 MB.
Hot Ketchup
Algumas pessoas vão chamar de virtuosismo, vão dizer que um cliente nunca aprovaria algo assim. Pode até ser, mas estamos aqui para cultuar a criatividade independente de burocracias.
Nestes dois anúncios criados pela Leo Burnett de Lisboa para o Heinz Hot Ketchup, a versão apimentada do clássico ketchup Heinz, nem sequer é usada uma assinatura e o produto aparece bem distorcido como parte do cenário.
Mesmo assim, não deixa de ser genial. Claro, não é uma peça que você bate o olho e entende logo de cara, mas a situação da imagem é tão inusitada que fisga quem folheia a revista.
Marcello Serpa sabiamente disse certa vez, que um anúncio não precisa ser completamente claro, ele pode muito bem e deve sim desafiar o leitor.
Quem está lendo uma revista e se depara com uma imagem estranha, com certeza vai parar e observar com mais atenção para descobrir do que se trata. E quando descobre, lá vem aquela risadinha no canto da boca. Essas peças da Heinz Hot Ketchup são exemplos perfeitos disso.
Tratar o consumidor como burro leva a falta de criatividade e campanhas publicitárias absolutamente medíocres.
Intituladas respectivamente de “Vaso” e “Aquário”, as peças foram premiadas com Leão de Bronze no Festival de Cannes 2004.


Aqueles-cujo-nome-não-se-menciona
Tenho visto vários críticos achincalhando o último filme de M. Night Shyamalan, porém, permitam-me dizer que tais críticos parecem ter dormido durante a projeção.
“A Vila” é sim um filme excelente e carrega tantas metáforas que chega a ser delicioso analisar cada diálogo entre seus personanagens.
Primeiro, Shyamalan criou uma aura em torno de si quando fez o fenomenal e neo-clássico “O Sexto Sentido”. Portanto, as pessoas vão ao cinema querendo ver mais do mesmo: sustos e um final surpreendente.
Isso aconteceu com “Sinais”, que muita gente não gostou exatamente porque não trazia o tal final, mas que eu considero um dos melhores filmes de suspense que já vi.

“A Vila” padece do mesmo problema, pessoas que esperam ver um “Sexto Sentido - Parte 2″. Claro, concordo que desta vez o suspense e os sustos não são o ponto forte, mas o roteiro é tão bem amarrado e inteligente que já vale o ingresso.
Aliás, é dificil falar do filme sem revelar qualquer coisa importante, mas posso dizer que Shyamalan me surpreendeu mais uma vez. Quando você já está pensando que o filme vai terminar daquela forma boba, o diretor vai lá e nos belisca mais uma vez com uma grande revelação.
E se você rever a história, percebe que tudo está bem amarrado, para cada pergunta existirá uma resposta. Um grande mérito de “A Vila”, que se tornou especialidade do diretor, é nos deixar pensando quando saímos do cinema.
Assim como “Sinais”, que discutia a fé, “A Vila” é uma grande metáfora para falar dos nossos medos, da fuga que tentamos para não encararmos a dor e o sofrimento.

Além disso, Shyamalan se consagra ao criar momentos silenciosos e lentos que fazem a platéia ficar pregada nas cadeiras. A cena em que a personagem Ivy fica parada na porta com a mão estendida é um ótimo exemplo disso, um momento memorável do cinema.
Aliás, o que é essa Bryce Dallas Howard? No seu primeiro trabalho como atriz e já dando um show. Além de ser linda, é claro. Adrien Brody, que protagonizou o “O Pianista”, também provou mais uma vez ser um grande ator.
“A Vila” é um filme para ver e rever, prestando atenção em cada momento e diálogo. Definitivamente, não é uma produção para quem quer filme fácil, para quem quer apenas tomar sustos e não pensar.
“A Vila” se deixa aberta para nossas interpretações. Espero poder falar do filme novamente após os comentários do pessoal aqui no site. Portanto, assistam e comentem! ![]()
África: expectativa de vida
Várias crianças estão brincando na savana, até que uma avista algo e sai correndo para avisar a todos o que se aproxima. As crianças vão até a aldeia e advertem todo mundo. Todas as pessoas na aldeia ficam assustadas e resolvem se esconder da maneira que podem.
Mas é então que descobrimos o que está acabando com a paz dos habitantes da aldeia: um velho homem africano, enrugado, com cabelos brancos e que se apóia em uma bengala.

O texto diz: “A expectativa de vida na África é de 47 anos. Logo, ninguém sabe como uma pessoa velha se parece.”
Entra então o logo da ONG francesa AIDES - Association de Lutte Contre Le SIDA e a assinatura: “Não abandone a África à AIDS”.
Criado pela TBWA de Paris, este filme todo filmado em preto e branco conta com uma incrível dramaticidade e nos mostra a realidade de um continente que está abandonado a própria sorte.

Para nós é totalmente surreal dizer que alguém possa ter medo de uma pessoa idosa, mas imagine num lugar onde a grande maioria da população não passa dos 50. Eles raramente ou simplesmente nunca viram alguém dessa idade.
Intitulado de “Village”, este filme foi premiado com Leão de Prata no Festival de Cannes 2004.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 4.80 MB.
Brainstorm #9 no Orkut
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Aproveito para avisar mais uma vez que existe a comunidade do Brainstorm #9 no Orkut. É só clicar no link abaixo:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=71271
Participe!
Os fabulosos mínimos detalhes da nossa vida
Provavelmente você já assistiu “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Senão, corra às locadoras agora mesmo. É um filme belo, que além de uma história apaixonante, conta com uma direção de arte e fotografia esplendorosas.
Este é um filme que lhe faz perceber o quanto os pequenos detalhes de nossa vida fazem diferenca, o quanto pequenas coisas, aparentemente sem importância para os outros, podem nos ser extremamente valiosas.
E prestar atenção e dar valor para os detalhes mínimos do nosso cotidiano pode ser o que você precisa para ter uma grande idéia. Não é a toa que a publicidade brinca como uma criança com esses fatores.
Veja por exemplo este outdoor para a Telefonica criado pela DM9DDB. Em uma extremidade do fone está escrito“chuva” e na outra “sol”, estabelecendo uma aventura visual com os elementos do aparelho.
A assinatura diz: “Ligue 132 e saiba a previsão do tempo.”

Chega a ser tão simples e utiliza um elemento tão banal, que é surpreendente. Você, assim como eu, nunca nem parou para prestar atenção nos buracos do telefone.
E imagine o custo desse anúncio? Imagine o trabalho para produzí-lo? Nada. Com uma camera digital na mão e a idéia na cabeça, você faz um desses em casa.
O segredo é ter sempre em mente que qualquer coisa pode virar um anúncio, saber que até aquele piada que você ouviu do taxista pode ser um bom conceito, que até a disposição das laranjas na feira pode virar uma campanha, que até esse mouse que você está segurando pode virar uma peça premiada.
É por isso que dizemos que publicitário, que quem persegue uma grande idéia, trabalha 24 horas por dia. É preciso estar de olho em tudo, observar todo mundo, porque em qualquer coisa pode estar a solução que vocé procura, independente de briefings, independente dos clientes.
Portanto, quando você estiver na rua, quando estiver na balada ou no almoço de domingo com a família, não deixe nada passar desapercebido.
Intitulado de “Telephone”, o anúncio da DM9 ficou no Shortlist do Festival de Cannes 2004.
Não tenha medo
Vejam que incrível a simplicidade desse anúncio. É mais um daqueles que a gente olha e diz: “Como que eu não pensei nisso antes?”
Mas confesso que precisei olhar para a peça por alguns segundos até entende-la. E quando caiu a ficha, tive a reação que citei aí acima.
A assinatura ao lado do packshot do produto diz: “Não tenha medo”.
Criado pela Saatchi & Saatchi da China para o sabão em pó Ariel, esta peça foi premiada com Leão de Bronze no Festival de Cannes 2004.













