Arquivo para o ano de 2004
Jet
Em novembro do ano passado, quando fiz a cobertura da festa brasileira do 18º Festival Internacional de Propaganda de Londres, falei rapidamente sobre este belíssimo anúncio. Porém, acho que ele merece um post exclusivo.
Trata-se de uma peça criada pela DDB de Hong Kong para a Volkswagen. É um espetacular trabalho de direção de arte, alías, foi nessa categoria que o anúncio levou o prêmio no festival.
É simples e genial. Para mostrar o quanto o Golf R32 é veloz e potente, três carros foram dispostos de maneira muito peculiar. Um carro está de frente, e os outros dois encostados ao lado do primeiro.
O jogo de luz e sombra nos faz enxergar asas com turbinas acopladas na lateral do carro. Não foi preciso nada mais do que o próprio produto anunciado para nos passar a mensagem, um conceito fortíssimo.
Isso que é exemplo de direção de arte bem feita. Prêmio mais do que merecido.

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Nós amamos chuva!
Esta peça sensacional foi enviada pelo leitor Fernando Mayer Soares, designer e visitante assíduo do Brainstorm #9.
Vocês sabem que um outdoor é composto por 16 folhas. Como são coladas em cima de outras folhas, quando chove o papel molhado fica transparente, revelando o que está por baixo.
Isso muitas vezes acaba atrapalhando a visualização do outdoor, sendo que as folhas que foram colocadas anteriormente aparecem. Porém, há quem saiba tirar vantagem desse fato para fazer algo genial.
É o caso da agência alemã Rempen & Partner, que criou um outdoor para a Playboy que se aproveita da chuva que molha o papel para mostrar a mensagem.
É o mesmo caso daquela peça brasileira do mosquito da dengue. O outdoor seco não mostra nada, mas quando molha, o mosquito aparece. Fazendo assim uma alusão sensacional da água parada com a dengue. No caso mostrado aqui hoje, a água é usada para mostar algo muito mais agradável do que um mosquito.
A primeira vista temos um imagem dos seios de uma mulher usando uma camiseta bem justa. Acima da foto, o título: “Guys, pray for rain”. Traduzindo: “Rapazes, rezem para chover”.
Uma chuva seria muito bem-vinda nesse caso, pois adivinhem o que acontece quando uma camiseta branca se molha? Pois é, neste outdoor é a mesma coisa. Quando chove, voilá, revela-se a grande sacada: a camiseta da garota fica transparente.
E percebam, nem precisa dizer que é da Playboy. Basta o famoso coelhinho de gravata e o sufixo do site alemão da revista. Isso que é saber tirar vantagem dos problemas que nos aparecem.

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O escultor
Eis aqui um clássico da publicidade. Foi criado e veiculado em 2002, mas mesmo assim é um filme que já entrou para a história da propaganda. Veiculado inclusive no Brasil por um bom tempo, se tornou bastante conhecido e comentado por aqui.
Trata-se do anúncio “The Sculptor” da Peugeot, criado pela filial italiana da agência Euro RSCG. Nele, vemos um rapaz indiano, que não satisfeito com o seu carro “quadradão” resolve dar uma recauchutada básica no veículo.

Para tanto, o jovem toma medidas drásticas. Primeiro bate com o carro a toda velocidade em um muro, da ré e amassa a traseira também. As pessoas na rua olham atônitas, sem entender o que se passa, assim como você.
Mas isso é só o começo. Para dar um jeitinho no capô, nada como a ajudinha de um elefante, que senta no carro com suas poucas toneladas. E dando continuidade ao processo de transformação, umas marretadas caem muito bem.

O espectador logo chega a conclusão de que tudo não passa de uma maluquice do indiano. Porém, quando ele abre uma página de revista com um anúncio do Peugeot 206, tudo fica claro.
Tendo o carro francês esculpido na sua velha caranga, o rapaz sai as ruas e chama a atenção de todo mundo. Ao final do filme, o título: “Peugeot 206. Irresistível.”
Com muito bom humor, o anúncio mostra o quanto o Peugeot 206 é desejado e admirado, principalmente pelo seu charmoso design.

Claramente voltado para o público jovem, o mais incrível deste filme é que ele cativa e é vendedor mesmo se passando em um ambiente pouco conveniente para comerciais da indústria automobilística: o terceiro mundo.
Talvez uma maneira bastante peculiar de se mostrar que o carro da Peugeot é querido em qualquer parte, em qualquer lugar. E além do mais, a atmosfera ajuda a potencializar o clima de comédia do anúncio.

É uma peça simplesmente arrebatadora de prêmios. Veja a lista:
Leão de Ouro no Festival de Cannes 2003
Ouro no CLIO Awards 2003
Ouro no Art Directors Club 2003
Ouro no Festival de Nova York 2003
Ouro no Caucasus International Festival of Advertisement 2002
Grand Prix no SATCAR - European Festival of Car Advertising Films
Ouro no Epica 2002
Ouro no International Andy Awards 2003
Prata no International Automotive Advertising Awards 2002
Ouro no The Cresta Awards 2003
Grand Prix no Eurobest 2002
Ouro no The Gunn Report 2003
Clique aqui para fazer o download do filme em formato .mpg. O arquivo tem 3.61 MB.
Faca em mão de criança…
Campanhas contra as drogas existem a rodo por aí. Se elas funcionam ou não, é uma grande incógnita. Acredito que causem mais impacto no público não-usuário, do que nos próprios viciados em drogas, que geralmente não estão nem aí para o que você, eu ou um comercial de TV queira dizer.
Porém, obstante a eficiência de cada uma, acredito que o mais importante de tudo é a conscientização. O que precisa ser dito está sendo dito, o resto é decisão de cada um. Uma vez causei polêmica nesse blog, pois declarei que sou totalmente a favor da liberação de todo tipo de droga. E continuo com o mesmo pensamento.
Acredito que tal medida diminuiria a violência, geraria dinheiro para o governo, empregos e etc. Conscientização sempre e com drogas vendidas como cigarro e cerveja em qualquer padaria ou farmácia. Em Portugal foi assim, na Holanda também, e os índices de violência caíram, e muito.

Bom, mas mudando o mérito da questão. Dessas iniciativas anti-drogas, a que mais gosto é a da Parceria Contra Drogas, do famoso slogan: “Drogas. Nem morto”. A grande maioria dos anúncios são absolutamente excelentes, impactantes e dramáticos.
Lembram daquele que mostrava um rapaz comprando drogas, e depois o traficante comprando armas? Sensacional. O texto dizia: “O que você faz com o seu dinheiro é problema seu. O que ele faz com o seu dinheiro, também é problema seu.”
São filmes que fazem você sentir o drama, sentir na pele a situação. Com este anúncio que trago aqui hoje, não é diferente. Intitulado de “Bebê”, foi criado pela Salles também para a Parceria Contra Drogas.

As cenas apresentadas são simplesmente agonizantes e de puro nervosismo. Um bebê entra na cozinha e começa a brincar com um faca. Logicamente, o espectador já espera pelo pior. A criança pega na lâmina, coloca a faca na boca e parece se divertir, sem ter a mínima noção do que está fazendo.
Por ser em preto e branco, sem trilha sonora e apresentar uma atmosfera totalmente sombria, o comercial se torna ainda mais desesperador, pois a solidão do bebê é claramente perceptível. Não há nínguem para ajudar.
No final, o título arrebetador é quase como um soco no estômago: “Com as drogas também é assim. Quem usa, não sabe o risco que está correndo.”

A decisão de usar um bebê é polêmica. Simbolo de inocência e ternura. Por isso mesmo o filme torna-se tão chocante, e passa a mensagem com uma clareza incontestável. A primeira vez que assisti este anúncio foi numa palestra sobre ações sociais, e ele causou frissom na platéia.
A peça levou prata no Clube de Criação de São Paulo. Clique aqui para fazer o download do filme em formato .mov. O arquivo tem 951 KB.
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As maravilhosas opções do mundo da Propaganda

Muitos de vocês já devem conhecer o Trampolim, um excelente site totalmente voltado para a publicidade. Lá, profissionais da área e estudantes falam sobre suas experiências, contam o dia-a-dia de uma agência e dão dicas preciosas para quem está começando.
Os textos que mais gosto são do redator Davi Amarante, que falam sobre cada área dentro de uma agência, digamos, de uma forma bem radical. Lendo sua visão sobre criação e atendimento, quase morri de rir. É tragicômico, mas o pior, é a realidade. E pior ainda, a gente adora essa vida.
Seguem alguns trechos do que o Amarante fala sobre a criação:
O que é?
“A Criação, onde trabalham os criativos (um lindo nome pra dizer às pessoas normais quando lhe perguntam: “o que é que você faz” ¿ “sou criativo”. Com certeza elas têm vontade de dizer: “e eu sou engraçado, bonito, inteligente. E ainda tenho uma profissão”) é um ambiente magnífico. Que geralmente até às 10h30 da manhã está deserto. É nessa hora que começam a chegar os primeiros habitantes (em geral, estagiários). Até às 6 da tarde os cérebros ainda estão a aquecer e só pelas 8 da noite começam a trabalhar. Ficam nessa atividade incessante até 2 da manhã e, por isso, não podem chegar antes das 10 ou 11 no dia seguinte. Faz sentido. Há dois tipos básicos de Criação: a “Túmulo” (onde ninguém abre a boca e cada riso um pouquinho mais alto pode atrapalhar a concentração de quem está no ICQ ou vendo um site de sacanagem, ou lendo uma revista) e a “Casa da Mãe Joana” (onde todo mundo ri alto, faz bagunça, conta piadas sujas, tira sarro dos atendimentos e vê e-mails com mulheres de pernas arreganhadas na frente da Sra. do café).”
Estagiário
“Não espere ser efectivado. Pense bem. Por que é que alguém efectivaria um estagiário que não ganha nada (ou quase) e trabalha feito um camelo? Pra pagar mais? Não faz sentido. Claro, você pode pensar que alguém talvez quisesse tê-lo por lá pelo seu magnífico talento e pela fantástica contribuição que você poderia dar se, em vez de ir embora, permanecesse na equipe. Desista. A única maneira disso acontecer é se você for uma gostosa. Daí a equipe, ou até o próprio Diretor de Criação, podem pensar duas vezes antes de deixá-la ir embora.”
Tablóide de Supermercado
“Pra ser criativo, você também não pode ser pobre. Tem que ter um carrão importado ou uma Harley, pra poder entrar no círculo dos Deuses. Tem que vir de uma família rica, abastada, que tenha lhe proporcionado viagens pelo mundo, livros, visitas a museus, uma bagagem cultural imensa, tudo muito necessário na hora de fazer um tablóide de supermercado. Escrever “Aproveite: Feijão fradinho só R$ 0,89/kg” requer muito background. E um pobre nunca saberia qual a maneira mais estética de colocar a foto do saco de feijão entre o coxão mole e o detergente líquido.”
Agora sobre a vida de um atendimento:
Atendimento
“Tem gente que curte levar chicotadas na bunda, vela derretida nas costas, apanhar com taco de beisebol, torcer pro Corinthians, votar no Maluf e se considera masoquista. Pobrezinhos…mal sabem eles que o nirvana da dor, do sofrimento, da humilhação, da ausência de auto-estima tem um nome: Atendimento.”
Sabão em Pó
“Na primeira etapa da sua infeliz vida como atendimento, a busca pelo emprego, vá primeiro às agências de atendimento, geralmente as grandes multinacionais. Nessas agências a criação é praticamente nula, inexistente e isso pode tornar a sua vida mais fácil. Vá primeiro à McCann (acho que não existe criação lá já faz uns 60 anos), depois Ogilvy, J. W. Thompson, Publicis Salles e outros elefantes. Em uma delas, com um pouco de sorte, você fará parte de um grupo de atendimento com mais de 30 pessoas que se dedicam exclusivamente a lidar da burocracia que envolve a adaptação de um comercial de sabão em pó. Raramente verá a criação, não saberá de nada que acontece nos bastidores dessa excitante lida, mas vai conseguir saber como ninguém como a consumidora considera o sabão em pó o seu cúmplice e companheiro. E com ainda mais um pouco de sorte, pode chegar a diretor dessa conta, participando de encontros latino americanos e quiçá, mundiais, sobre esse maravilhoso sabão. Isso que é vida.”
O Inferno de Dante
“Você rodou, rodou, foi em todas as multinacionais, nas ¿J. Coccos¿ e ¿Eugênios¿ da vida e não conseguiu nada. Eu se fosse você parava de ler agora e, como diria eu mesmo, desistia. Mas, cada um com seus problemas, tem muito masoquista no mundo. Vamos então às agências ¿de criação¿. Nem Dante conseguiria imaginar um destino tão negro, em nenhum dos infernos descritos por ele. Em um dos piores cenários descritos pelo italiano, as pessoas ficavam submergidas até as orelhas em fezes. Pois no seu caso, pode ser que o nível suba muito mais do que isso. Ser atendimento nessas agências é, como eu dizia, ser a privada da agência. Você será obrigado a receber todas as merdas (já pode escrever isso, né, até na novela já falam) da agência e do cliente na sua cabeça. Será obrigado a defender todo mundo, menos você. Se você não defender o cliente, ele pede a sua cabeça. Se não defender a criação, ela pede a sua cabeça. Talvez pra fazer um balde de gelo, já que ela deve ser oca. Ninguém merece uma vida assim. Ser xingado, humilhado, rebaixado, defenestrado por todo mundo o tempo todo, nem masoquista é tão louco assim. Claro, se você for diretor, poderá descontar fazendo o mesmo com seus gerentes, se for gerente, detonando os assistentes e se for assistente, destruindo os pobres dos estagiários. Opa, esse é você. Tá mesmo afim?”
Office-boy
“Mas eu me perdi falando de como é feliz a vida de um atendimento e me esqueci completamente de comentar a respeito do trabalho, do ofício. Bom…basicamente, um office-boy daria conta do recado. Sabe, levar coisas pra lá e pra cá, fazer corpo mole na hora do almoço, ficar com dinheiro da agência se sobrar troco ou conseguir nota fiscal pra reembolso, conversar no telefone fazendo interurbano pra família e dizer que esta falando com o cliente, enfim. Só que do office-boy ninguém enche o saco. E de vagas para office-boy, os classificados estão cheios. Assim como uma agência está cheia de boas intenções.”
Muito bom não é mesmo? Agora confira os textos do Amarante na íntegra lá no Trampolim. Siga os links:
E também não deixe de conferir as colunas dos outros profissionais, recheadas de excelentes textos.
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Wear Sunscreen
Considero esse um post muito especial aqui no Brainstorm #9. Desta vez não vou falar de uma propaganda. Bem, não de uma propaganda comercial, que visa vender um produto, mas sim de um filme bem diferente em seu propósito.
Muita gente já viu e comentou esse maravilhoso filme institucional da DM9DDB, mas creio também que para grande parte do público o mesmo continua desconhecido. É uma pena, pois nínguem deveria deixar de assistir a essa produção emocionante e verdadeira.

Intitulado de “Sunscreen”, este filme foi produzido em 1999 pela agência DM9DDB, onde na época Erh Ray e José Henrique Borgui eram parceiros de criação. A idéia para o “comercial” veio de um texto lido por um orador em uma cerimônia de formatura nos EUA no ano de 1997.
Em 1º de Junho daquele mesmo ano, a jornalista Mary Schmich publicou o belíssimo texto em sua coluna no jornal The Chicago Tribune. Foi a partir disso que a redação chamada “Wear Sunscreen” circulou o mundo através de e-mails e chegou nas mãos de Ray e Borgui.

Eles transformaram o texto em um vídeo extremamente emocionante e bem produzido, com imagens do cotidiano editadas em formato video-clip. São 7:05 minutos de filme, uma produção maravilhosa que conta tanto com a narração do famoso texto como com uma trilha sonora fantástica.
No final das contas temos um comercial institucional de arrepiar, que não fala de uma empresa, fala de todos nós, para todos nós. Pensamentos que, se seguidos, podem tornar a vida muito melhor e mais divertida. Sem tantas preocupações, sem tanto stress.

Esse é de longe o arquivo mais pesado que posto aqui no blog. São 85.8 MB de filme em formato .MOV, devidamente compactado em .ZIP. Clique aqui para fazer o download.
É grande, demora pra baixar, porém, é um tempo que vale a pena esperar. Como disse, “Sunscreen” é um vídeo obrigatório para todos. Para ver, refletir e guardar para quando der vontade de assistir novamente.

Segue abaixo o texto do comercial na íntegra, mas não deixe de fazer o download do arquivo.
Wear Sunscreen
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, eu diria:”usem filtro solar”. O uso em longo prazo do filtro solar, foi cientificamente provado. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência.
Eu lhes darei esse conselho:
Desfrute do poder e da beleza da sua juventude.
Oh, esqueça…
Você só vai compreender o poder e a beleza quando já tiverem desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que você não pode compreender agora quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era… Você não é tão gordo(a) quanto você imagina.
Não se preocupe com o futuro.
Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida, são aqueles que nunca passaram pela sua mente, tipo aqueles que tomam conta da sua mente às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.

Todos os dias faça alguma coisa que te assuste.
Cante.
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.
Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.
Relaxe.
Não perca tempo com inveja. Às vezes você ganha, às vezes você perde. A corrida é longa, e no final, tem que contar só com você.
Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos.
(Se você conseguir fazer isso, me diga como…)

Guarde suas cartas de amor.
Jogue fora seus velhos extratos bancários.
Estique-se.
Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja gentil com seus joelhos.
Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez você se divorcie aos 40.
Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.
O que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais.
Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.

Curta seu corpo da maneira que puder.
Use-o de todas as formas que puder.
Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele.
Ele é o maior instrumento que você possuirá.
Dance.
Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.
Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.
Saiba entender seus pais.
Você não sabe a falta que você vai sentir deles quando eles forem embora pra valer.
Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho.

Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.
More em New York City uma vez.
Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura.
More no Norte da California uma vez.
Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
Viaje.
Aceite algumas verdades eternas:
Os preços vão subir, os políticos são mulherengos e você também vai envelhecer.
E quando você envelhecer, você fantasiará que quando você era jovem:
os preços eram razoáveis, os políticos eram nobres e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite as pessoas mais velhas.

Não espere apoio de ninguém.
Talvez você tenha um fundo de garantia.
Talvez você tenha um cônjuge rico.
Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo.
Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos.
Mas seja paciente com elas.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço muito maior do que realmente vale.
Mas acredite em mim, quando eu falo do filtro solar.
PS: Esqueça a versão dublada pelo Pedro Bial que passou no Fantástico, é um lixo.
Stop mines!
O terceiro setor não para de crescer no Brasil e no mundo. São mais de 250 mil ONGs no país, que movimentam R$ 12 bilhões/ano, oriundos da prestação de serviços, do comércio de produtos e da arrecadação de doações.
E na publicidade, o investimento em causas sociais também é um filão que vem sendo muito aproveitado. A iniciativa privada se une às organizações sociais, e o lucro vem pra todo mundo. Gera emprego, sustentabilidade e ainda ajuda muita gente.

Na faculdade tive a oportunidade de assistir uma palestra sobre o tema, em que uma das diretoras da McCann Ericksson contou como é o trabalho no terceiro setor, a dificuldade de se conseguir mídia e apoio de empresas, mas também como é recompesador ver o resultado.
O trabalho é voluntário, mas também deve ser muito profissional. É dessa maneira que vemos muitas agências de publicidade mundo afora defendendo causas sociais e realizando uma bela campanha de valorização da marca de associações e ONGs. Um trabalho onde todo mundo sai ganhando.
E por falar na McCann, devo lembrar que o trabalho desse grupo no terceiro setor é um dos melhores atualmente. Aqui no Brasil por exemplo, a agência atende a AACD e certamente você já deve ter visto muitas campanhas excelentes em veiculação na televisão e mídia impressa.

A McCann de Barcelona também realiza um trabalho maravilhoso para a Cruz Vermelha espanhola, como esse comercial que trago hoje aqui.
Para nós, aqui no Brasil, pode parecer algo distante ou até ficcional, mas a realidade é que muitos países e comunidades sofrem problemas gravíssimos devido as minas terrestres implantadas em regiões de guerras, disputas civis e etc.
E isso não pára. Terroristas e militares continuando utilizando esses armamentos, e quem mais sofre com isso é a população. Imagine viver em um lugar onde você não sabe no que está pisando, onde o direito de ir e vir é ofuscado pelo medo de ser jogado pelos ares a qualquer momento.
Sim, é uma questão delicada, envolve política, vidas humanas e muita discussão. Portanto, é muito difícil de se tratar o assunto em um comercial de TV e, 40 segundos. Mas a McCann soube fazer isso de forma sutil e tocante. Passar a mensagem, chocar com sutileza sem ofender o espectador.

Neste anúncio vemos pessoas fazendo aquilo que muitos de nós já fizemos muitas vezes quando andamos nas ruas, principalmente quando crianças. Quem nunca brincou de andar na calçada pisando só nos tijolinhos pretos ou seguiu uma linha demarcada no chão sem tirar o pé dela?
O filme mostra diversas situações assim, onde as pessoas brincam nas formas que estão pintadas no chão. É inocente e divertido, mas o texto do anúncio logo acaba com essa impressão: “Para você isso é só uma brincadeira. Para muitas pessoas, isso é a diferença entre a vida e a morte. Pare as minas”.

Entra a assinatura da Cruz Vermelha e o fade na trilha sonora, que se encaixa perfeitamente com o a mensagem do anúncio. O filme foi selecionado como um dos melhores da Europa no ano passado, levando prata no Eurobest Awards 2003.
Clique aqui para fazer o download do filme em formato .mpg. O arquivo tem 3.41 MB.
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