Arquivo para o mês de Novembro de 2004
Finger Licking Good
O Burger King acaba de chegar ao Brasil, em menos de 15 dias já são 3 lojas abertas em São Paulo. A divulgação em massa também já começou, outdoors espalhados por toda cidade, filme na TV e etc.
Com o tema “Abaixo a ditadura”, o Burger King pretende abrir 100 filiais em menos de 10 anos, e assim concorrer de frente com o McDonald’s. Mas, como todas as outras redes estrangeiras que se instalaram aqui, a lanchonete do famoso “Whopper” deve enfrentar dificuldades para cair no gosto do público brasileiro.
Lembram da Pizza Hut? Adoro a pizza da rede e sou absolutamente fanático por toda a comunicação visual que eles adotam, mas como nem todo mundo pensava assim, a Pizza Hut teve prejuízos, fechou todas as lojas, e voltou depois de alguns anos tentando agora, cada vez mais, se adequar aos paladares daqui.
A rede Kentucky Fried Chicken, a famosa KFC, também teve os mesmo problemas. Abriu algumas lojas em São Paulo, mas não aguentou. Fechou e nunca mais voltou. Obstante a isso, a KFC, que colocou Kentucky no mapa como a capital mundial do frango frito, é um sucesso na América do Norte.
Aproveitando esse assunto, vou publicar aqui uma campanha da KFC, criada pela BBDO de Cingapura, que gosto muito. Não apenas pela sua simplicidade, mas também pela direção de arte muito inteligente.
São três anúncios que mostram, que os frangos da KFC são tão deliciosos, que as pessoas lamberam os dedos por um longo tempo. O título diz: “Finger Licking Good”, e vem assinado nas próprias caixinhas do frango.
Intitulados respectivamente de “Nail Polish”, “Mechanic” e “Henna”, os anúncios foram premiados com Ouro no Clio Awards 2003, Ouro no YoungGuns 2003, Prata no The One Show 2003 e Prata no Asia Pacific Advertising Festival (AP AdFest) 2004.



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Lovemarks no Brasil
Quem acompanha o Brainstorm #9 há algum tempo, já está cansado de saber o que é “Lovemarks”. Sabe também que o livro de Kevin Roberts, CEO da Saatchi & Saatchi, sobre o assunto seria lançado no Brasil em Novembro.
Pois finalmente “Lovemarks: o Futuro Além das Marcas” chega traduzido para o português. Mesmo que pela bagatela de R$ 85,00 R$ 69,90, vale a pena conferir e saber tudo o que Roberts tem para dizer sobre atrelar emoção, respeito e amor a uma marca.
Afinal, nínguem melhor para falar sobre o assunto do que o próprio criador do conceito. Quer sabe tudo o que já foi falado sobre Lovemarks aqui no site? Siga o link
Her kiss. Her smile. Her perfume.
Existem muitos casos onde a assessoria de imprensa e a relações públicas trabalham muito mais do que a agência de publicidade. Ainda mais quando a referida agência torra 20 milhões de dólares do cliente para criar um único comercial.
Bom, mas com 20 milhões de dólares, quem precisa de agência não é mesmo? Vamos chamar logo um diretor “bam-bam-bam” de Hollywood, contratar atores famosos e “Oscarizados”, certamente será um investimento bem melhor.
Foi isso o que aconteceu com o novo comercial (ou filme, como preferem chamar os produtores) do lendário perfume Chanel Nº 5. É um caso onde o marketing é mais feito em cima da própria peça publicitária do que no produto em si.

A criatividade não precisa ser levada em conta, e sim a atmosfera onírica e fantasiosa em que o tal produto vai ser inserido. Você tem dúvidas de que funciona? Não precisa ter, funciona mesmo, e muito bem. Pois este é, provavelmente, o comercial mais comentado do ano e o mais caro da história.
O diretor Baz Luhrmann, de “Moulin Rouge”, convocou a multimilionária atriz Nicole Kidman e o brasileiro Rodrigo Santoro para fazerem um mini-filme de 2 minutos de duração, que conta a história de uma atriz que foge de fotógrafos em uma première e termina nos braços de um estranho escritor. Tudo embalado ao som da Orquestra Sinfônica de Sydney, que toca uma versão de “Clair De Lune” do compositor Claude Debussy.
E a moral da história? Dizer que o Chanel Nº 5 é inesquecível, assim como “seu beijo, seu sorriso, seu perfume”, como diz Santoro ao final.

O comercial, que tem ares de épico hollywoodiano, está estreando essa semana em vários países, inclusive no Brasil. Porém, a versão que está sendo exibida na TV é reduzida, já que o filme integral estará somente nos cinemas.
A única referência óbvia ao perfume em todo o filme está somente na jóia que aparece nas costas de Nicole Kidman. Mas com toda a repercussão gerada antes mesmo da estréia do comercial, não seria preciso mais nada para causar o impacto desejado.
Como a dificuldade é a mãe da criatividade (e convenhamos, 20 milhões de dólares e Nicole Kidman a disposição não é dificuldade pra ninguém), do ponto de vista da idéia este filme não é nada que mereça nossa atenção. Mas quando vemos com olhos de marketeiros, enxergamos aí uma jogada de mestre.

Dizem que o cinema é uma fábrica de sonhos, assim como a propaganda também se tornou. O que dizer quando se juntam os dois? Uma prova irrefutável de que, como muito já discutimos por aqui, a publicidade não serve para vender coisa alguma, e sim para criar desejo, fetiche, vontade. Fatores esses que regem a existência desse comercial. Nem que para isso seja preciso convocar estrelas Hollywodianas para uma ajudinha.
Enfim, assista ao “Nº 5″ e veja como fazer um anúncio sem precisar de uma agência de publicidade. Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download da versão integral do filme em formato .MPG. O arquivo tem 9.42 MB.
Don’t Drink and Drive
Sou fã de comerciais que, para passar sua mensagem, dão um tapa na cara do espectador. Geralmente, isso acontece porque a peça publicitária em si lhe faz pensar o oposto daquilo que ela realmente vai mostrar.
O anúncio induz o espectador a um sofisma, jogando a bomba no seu colo quando você menos percebe. E não tenha dúvidas, ela explode antes mesmo que se possa ter qualquer reação. O resultado disso pode ser surpresa, choque ou até mesmo vergonha.
Um exemplo muito recente, é um comercial da Associação Brasil Parkinson que está sendo veiculado na TV paga. Um típico caso que faz o espectador sentir vergonha, já que este estava pensando justamente aquilo que o anúncio denuncia.
Nele vemos uma senhora sentada no sofá assistindo televisão, e no chão apenas os pés de um rapaz que aparenta ser bem jovem. A TV exibe um clipe de música eletrônica e os dois parecem se divertirem. Enquanto a vovó balança a cabeça, o rapaz mexe o pé, tudo no ritmo da música. E assim ficam por uns 20 segundos.

Nessa altura você já está com o sorriso no canto da boca, achando a cena da velhinha curtindo música eletrônica bem engraçada e ainda tentando imaginar como aquilo vai acabar. Talvez um comercial de um festival de música ou algo que o valha.
Até que o rapaz se levanta, desliga a televisão e a senhora continua a balançar a cabeça por mais alguns longos segundos, em silêncio. Entra então o título: “Mal de Parkinson. Isso não é nada engraçado.”
É um soco no estômago. Natural que o espectador considere a situação engraçada, mas quando é revelada a verdade, descobrimos que não deveríamos rir. As pessoas vivem discutindo a efetividade da publicidade e, na minha opinião, esse é o tipo de idéia que funciona muito bem.
É interessante perceber ainda alguns recursos utilizados no filme para induzir as pessoas ao erro. A cena inicial, mais do que curiosa, é longa e isso nos faz ficar imaginando o que aquilo significa. E mais do que isso, nos faz imaginar qualquer coisa, menos o que será revelado.

O anúncio não pode ser óbvio, pois se o espectador sacar qual será a mensagem, adeus impacto. Outro elemento interessante acontece no uso do texto. São duas pequenas frases, e ambas entram na tela de forma bem lenta. Primeiro, quando diz “Mal de Parkinson”, você tem tempo suficiente de cair na real e pensar: Pô, eu não deveria estar achando engraçado”, e é nesse momento que o comercial concorda: “Isso mesmo, você não deveria estar achando engraçado”.
Enfim, é um excelente anúncio de impacto. Infelizmente não o consegui para disponibilizar para download, mas se você zapear pelos canais da TV a cabo, pode ter a sorte de assisti-lo.
Mas para compensar, trago hoje um comercial sensacional que também nos dá um tapa na cara. Criado pela TBWA de Paris para a Responsible Young Drivers Association (Associação dos Joves Motoristas Responsáveis), ele se utiliza praticamente dos mesmos recuros que citei acima: Uma longa cena inicial aonde se repetem situações, e no fim a revelação e a entrada de um texto de forma lenta na tela.

Filmado de forma amadora, vemos um homem cambaleando que parece ter saído do carro e começa a vomitar. E ali ele fica, passando mal. Entra então a frase: “Não beba e dirija”. Bom, e agora você assiste o comercial para descobrir sozinho o que acontece. Depois, fique a vontade para comentar suas impressões.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 3.80 MB.
Intitulado de “Don’t Drink and Drive”, o filme foi premiado com Prata no Art Directors 2004 e com Bronze no Andy Awards 2004.
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Good Night
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Mais um da série “Anúncios Tão Simples Que Você Faria Até Na Sua Casa”. Desta vez um outdoor criado pela brasileira Publicis Salles Norton para o Vick Vaporub, da Procter & Gamble.
Brincando com a própria embalagem do produto formando uma lua, a peça deseja “Boa Noite”, já que o Vick garante um sono tranquilo e “descongestionado”.
Intitulado de “Moon”, o outdoor ficou no Shortlist do Festival de Cannes 2004.

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The ride of your life
Fazer seres inanimados parecerem que possuem vontade própria não é nenhuma novidade em propaganda, ainda mais quando tais seres demonstram admiração pelo produto que está sendo anunciado.
Porém, os criativos da agência Arnold Worldwide fizeram isso de forma tão simpática neste novo comercial do Passat da Volkswagen, que se tornou um filme muito bacana.

Aqui, uma folha que acabara de cair de árvore e esta prestes a ser sugada pelo caminhão de limpeza, resolve viver mais um pouco e curtir a vida. Ela parece se agarrar num Passat que passa pela rua e, mesmo sendo ora puxada pela vento, ora empurrada pelo pára-brisa do carro, ela não desiste.
A folha tenta permanecer no carro de todas as maneiras, e mesmo quando esta preste a cair num bueiro, ela retoma a força e continua seguindo sua viagem no belo Passat.
No final, entra a assinatura com o título: “O passeio de sua vida.” Tudo isso pontuado por uma trilha sonora ideal para contar a épica saga da folhinha.

É interessante perceber também, como que essa história da folha não passa de uma desculpa criativa para mostrarem cada detalhe do carro. Além do conceito de que “andar num Passat é tudo o que você pode querer”, o produto também é muito bem demonstrado.
Intitulado de “Leaf”, o anúncio foi premiado no The Cresta Awards (Creative Standards International) 2004.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 2.36 MB.
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A xícara de café estava lá ou não?
Assim como a maioria das pessoas, quando vi o trailer criei uma boa expectativa com “Os Esquecidos”. Trailer esse que nos prometia a “produção mais surpreendente desde O Sexto Sentido”.
Mas também achei pretensão demais, porque “O Sexto Sentido” é um clássico e tem que ser colocado em um pedestal livre de comparações (Viva Shyamalan!). Mas tudo bem, vamos assistir, quem sabe eu não mordo a língua.
Porém, com tanta gente achincalhando o filme do diretor Joseph Ruben, logo acendi a luz amarela. Definições que iam de “rídiculo” a “filme B” me fizeram quase deixar para conferir “Os Esquecidos” somente daqui alguns meses, quando estivesse nas locadoras.

Mas não. Não fui vencido por uma horda de críticos cri-cri que só gostam de filmes iranianos e dão 5 estrelas mesmo dormindo durante a sessão (será que a Folha vai cancelar minha assinatura?). Eu insisti e fui ao cinema, porque, ao contrário desses mesmos críticos, eu não assisto filmes de países que não tem água encanada! :p
E quer saber? Me dei muitíssimo bem, porque adorei “Os Esquecidos”. O maior problema desse incompreendido filme, é que ele faz as pessoas acharem que é uma coisa, mas é outra coisa. Sacou? Vou explicar.
Na primeira e ótima meia-hora, tudo é muito promissor. Parece que vai ser um thriller psicológico de tirar o folêgo, com discussões em torno da loucura (ou não) de Telly Paretta para ter seu filho de volta. Aliás, Julianne Moore mais uma vez dá um show no papel de mulher sofrida.
Algumas revelações vão tornando o suspense ainda maior, e quem assiste fica curioso para saber como diretor e roteirista irão resolver todas as questões que aparecem na tela.
Aí acaba a parte que todo mundo gostou e começam as revelações. Claro, não é nada de surpreendente e a história de abdução poderia tornar a trama boba, mas a forma como o segundo ato do filme é conduzido me impressionou.

Aliás, fazia tempo que eu não pulava da cadeira no cinema. Sabe susto de verdade? Aquele que o seu coração dispara e você pressiona suas costas contra a cadeira num movimento involuntário? Então, em “Os Esquecidos” isso acontece umas quatro vezes. A começar pela sensacional cena do acidente de carro. Que sacada!
Não considero a tal “revelação” o aspecto mais importante de “Os Esquecidos”. O melhor vem depois disso.
As explicações poderiam soar absurdas e bobas, mas não em um filme de ficção científica. Mesmo partindo para terrenos que vão além do que conhecemos como “real”, o diretor soube manter o tom, nunca estereotipando seres e situações.
E isso, no meu ver, foi um dos grandes trunfos do desfecho de “Os Esquecidos”. Que mesmo não apelando para velhas fórmulas do genêro, conseguiu criar momentos assustadores e me deixou curioso para saber um pouco mais “deles”.
Um dos pontos ruins do filme foi o exagero nas cenas de perseguição, tempo esse que poderia ser usado para criar novas situações criativas ou potencializar o clima de tensão existente sem precisar colocar pessoas correndo uma atrás das outras.
Vá assistir “Os Esquecidos” como um filme de ficção, abra a cabeça e aceite as propostas. Quem for ao cinema esperando explicações estapafúdias de psicólogos chatos, realmente pode se decepcionar.
Não é um filme que se tornará uma referência do genero, mas com certeza rende 1 hora e meia de bom cinema e diversos momentos criativos.
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LIAA 2004: Grand Prix de Mídia Impressa vai para Alemanha
Ontem ocorreu o primeiro dia de premiação do LIAA 2004 - London International Advertising Award , com a entrega dos prêmios nas categorias Mídia Impressa, Outdoor, Televisão e Rádio.
Quatro trabalhos brasileiros foram premiados, entre eles a campanha da AlmapBBDO para a revista Veja com o tema “Bush, Saddam e Bin Laden”, já publicada aqui no Brainstorm #9, e que ganhou nas categorias Mídia Impressa e Outdoor.
O filme “Goleiro” da DM9DDB para a Loctite Super Bonder e as peças impressas: “Bloddy Efficient” da GiovanniFCB para o repelente de insetos Off e “Favela” da Leo Burnett para o Instituto Akatu foram os outros trabalhos brasileiros premiados.
Hoje, terça-feira, serão divulgados os vencedores nas categorias Design, Package Design e Mídia Interativa.
Além dos brasileiros, diversos outros trabalhos do mundo inteiro foram reconhecidos ontem, incluindo a tão desejada categoria Grand Prix, o prêmio máximo do festival.
O Grand Prix de filme foi para o comercial “Mountain” criado pela TBWA para o Playstation 2, também já publicado aqui no Brainstorm #9.
Em Mídia Impressa, o Grand Prix ficou com uma excelente campanha da Weru criada pela agência alemã Scholz & Friends GMBH.
A Weru é uma fabricante de janelas à prova de som, e para mostrar isso os criativos de Berlim fizeram uma brincadeira visual muito divertida.
A cena mostrada no anúncio é vista por trás da janela, o que altera a realidade do lado de fora. Os objetos que, na prática, deveriam emitir uma barulheira infernal, ficam minúsculos quando vistos através de uma janela Weru, simbolizando a minimização do som.
Com os títulos “Gardener”, “Policeman” e “Worker”, as peças foram premiadas com Leão de Ouro no Festival de Cannes 2004, Prata no The One Show 2004 e agora com o Grand Prix no Festival de Londres 2004.



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