Arquivo para o mês de Julho de 2004
Wond—
A Wonderbra é uma das mais famosas marcas de soutiens do mundo.
E com o intuito de incentivar a prevenção ao cancêr de mama, a agência Grass da Malásia teve a simples e excelente idéia de fazer o que vocês podem ver no outdoor abaixo.
Uma bela demonstração do poder de marca e do design gráfico.
A peça, criada para os laboratórios Thompson, foi premiada com Leão de Ouro no Festival de Cannes 2004.

| Hoje no Passado |
- 2007: VW Touareg 2 | Bourne Happens — Assim como fez da primeira vez, aproveitando “King Kong” de Peter Jackson, a Volkswagen marca o lançamento da segunda geração [...]
Brilho cinematográfico
Quando você sai do cinema pensando, com um sentimento (seja ele de tristeza, euforia, ou alegria) e ainda carrega aquilo por um bom tempo, eu digo: “Puta merda, esse filme me pegou!”.
Assim acontece com o maravilhoso “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, que apesar do marketing tentar vendê-lo como uma comédia boba e superficial, é tão profundo e belo que faz o espectador se identificar com cada momento.
Talvez a melhor deifinição para essa nova doidera do roteirista Charlie Kaufman, o mesmo de “Quero Ser John Malkovich”, seja do crítico carioca Bernando Krivochein, que disse:
“Não é aquele filme que te faz se acabar de chorar dentro do cinema; ele te acompanha até em casa, dorme contigo e ainda te leva café na cama a semana inteira. Um filme tanto para se admirar quanto se apaixonar.”

E é assim que você termina uma sessão de “Brilho Eterno…”, apaixonado pelo filme e admitindo a verdade que ele nos mostra.
Resumindo, a história é sobre Joel Barish (Jim Carrey), um homem inseguro e introvertido que acaba se relacionando com uma garota completamente porra-louca, chamada Clementine (Kate Winslet). Tudo é lindo no começo, mas a trama pula pro final e nos mostra como as diferenças entre o casal acabaram com o relacionamento.
Para se livrar das memórias dolorosas, a garota resolve se submeter a um estranho procedimento médico criado pelo Dr. Howard, que promete apagar toda e qualquer lembrança de alguma pessoa em sua cabeça.
Quando descobre isso, Joel decide passar pelo mesmo processo, mas enquanto suas memórias vão sendo apagadas, ele se arrepende e tentar evitar que todas suas lembranças sejam perdidas.

É uma história de amor até comum, um casal que se dá bem no começo, mas depois acabam vindo uma série de discussões e no fim descobrem que qualquer experiência, seja ela boa ou ruim, faz parte de nosso crescimento pessoal e precisam ser encaradas de frente.
Falando assim parece não ser nada demais. Porém, é a forma como Charlie Kaufman e o diretor Michel Gondry contam a história é que realmente salta aos olhos.
“Brilho Eterno…” é como um quebra-cabeças que vai sendo montado peça a peça, e o espectador acompanha vidrado como se fosse uma emocionante partida de futebol. Todo lance é importante e revelam novos truques que deixa quem assiste cada vez mais surpreso.
Em matéria de inventividade e inteligência é um filme que supera as expectativas, fazendo com que cada detalhe mostrado na tela seja admirável. No começo nos sentimos perdidos, parece que nada no filme vai se encaixar, mas os poucos vão nos sendo apresentadas as conclusões.

Jim Carrey prova mais uma vez seu poder dramático, muito maior do que comediante. Quem diz que Carrey só sabe fazer caras e bocas, precisa ver a veracidade e melancolia que o ator dá ao seu personagem, superando até mesmo sua bela interpretação no excelente “O Mundo de Andy”.
Ao lado de Carrey, Kate Winslet conseguiu criar uma ótima química, tornando o relacionamento entre eles um espelho de nossas experiências pessoais. Aliás, todos os personagens se revelam interessantes, graças as atuações de Tom Wilkinson, Kirsten Dunst, Elijah Wood e Mark Ruffalo.
“Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” é um filme completo em todos os aspectos, seja ele trama, direção, interpretação, trilha sonora, direção de arte e fotografia. Provoca choro, riso e identificação em cada um de nós.
Além de ser uma das melhores surpresas do ano, é uma obra que desde já entra na minha lista de preferidos. Aposto que com você não vai ser diferente.
Surrealismo presidencial
Utilizar fatos históricos em propagandas quase sempre resulta num trabalho de impacto e comparação com a realidade. É claro que esse acontecimento precisa ser comum a todos para que a mensagem seja entendida.
Hoje você pode colocar até dois palitos em pé pegando fogo que todo mundo já vai pensar no 11 de Setembro. Mas o mesmo não acontece, infelizmente, se você pegar os mesmos palitos e fazê-los queimar em forma de cruz aludindo a intolerância racial ocorrida no século passado.
Isso são só exemplos. E no post de hoje trago um comercial que soube utilizar muito bem um fato político curioso ocorrido há tão pouco tempo.

Em Dezembro de 1999, a Argentina no auge da crise teve 5 presidentes diferentes num intervalo de poucos dias. E é justamente esse pastiche que vemos nesse filme criado pela Craverolanis Euro RSCG para o MALBA - Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires.
Fernando De la Rua, Ramon Puerta, Adolfo Rodriguez Saá, Eduardo Camaño e Eduardo Duhalde, a posse de cada um deles é exibida no comercial com uma trilha sonora que acentua o tom de humor e ironia.
Ao final temos o título: “Venha ver mais surrealismo no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires. A exposição que melhor reflete a realidade da Argentina. Dalí, Miró e muitos outros artistas.”

Irônico e crítico, este anúncio consegue falar de forma clara e simples, mostrando como a realidade argentina foi surreal naqueles tempos de crise.
Além do mais, o público de museu é geralmente muito crítico, o que faz o comercial ser um tiro certeiro ao cutucar nessa ferida.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 3.64 MB. Lembrando que é preciso o QuickTime para assistir o vídeo.
Intitulada de “Presidents”, a peça foi premiada com Leão de Ouro no Festival de Cannes 2004.
Part Good, Part Bad
A comunicação da Axe já há algum tempo se mostra um exemplo de criatividade e ousadia. A mais nova loucura é o Pitman, um homem-axila psicodélico que anda faturando mulheres maravilhosas por aí.
Também vale lembrar que um dos melhores comerciais do mundo foi produzido para a marca: “Getting Dressed”, devidamente já comentado aqui no Brainstorm #9.
E hoje trago aqui mais uma excelente campanha criada pela BBH americana para a Axe. Vocês se lembram dos anúncios do Axe Fusion aqui no Brasil? Nele víamos uma bem-humorada brincadeira com as duas faces do homem: a boa e a má.
Uma parte é boazinha, faz de tudo para agradar as mulheres, já a outra se guia totalmente pelo instinto masculino.
De forma bem-humorada e porque não, realista, os anúncios mostram a essência masculina. Uma idéia simples, muito fácil de produzir e absolutamente criativa.
O mais legal é perceber que parte de cima, o cérebro, é racional e sempre acompanha a namorada. Já a parte de baixo…
A campanha foi premiada com Leão de Ouro no Festival de Cannes 2004.


Visita na prisão
Humor e elemento surpresa: eis dois argumentos publicitários que quase sempre agradam. Este comercial para o produto Vim Cream da Unilever é um ótimo exemplo disso.
Criado pela agência canadense Zig, o filme começa mostrando uma filha visitando sua mãe na prisão, separadas por uma parede de vidro.
(se não quiser estragar a surpresa, pare a leitura por aqui)

A conversa entre as duas é dramática, a filha querendo saber quanto tempo a mãe ainda vai ficar lá e ela respondendo que precisa voltar.
O ambiente realmente parece ser uma cadeia, percebam a fotografia gelada e a roupa laranja utilizada pela mulher.
Porém, quando a camera afasta, vemos que na verdade não é uma prisão. A mulher está atrás do vidro limpando a banheira. O título diz: “Perca menos tempo limpando.”

Intitulado de “Prison Visitor”, o comercial foi premiado com Leão de Ouro no Festival de Cannes 2004.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 2.16 MB. Lembrando que é preciso o QuickTime para assistir o vídeo.
Cut your brush
Uma das campanhas premiadas em Cannes este ano que mais gostei veio da França. Criada pela DDB Paris, essa série de três anúncios para Stihl, uma marca de cortadores de grama, é muito bem-humorada.
Ela mostra como um carteiro, um entregador de pizza e um vendedor chegam na casa da pessoa após terem atravessado o jardim. O título diz: “Cut your brush.”
Sou fã desse tipo de ironia e da existência de uma “historinha” por trás do anúncio.
A campanha levou Leão de Bronze no Festival de Cannes 2004.



Apenas as melhores idéias vencem
Ontem, durante um workshop de criação ministrado por Paulo André Bione, diretor de criação da QG Comunicação, uma agência do grupo Talent, vi um filme genial que mostra muito bem como é o dia a dia numa agência de publicidade.
Paulo exibiu um vídeo chamado “The Idea”, criado pelos Irmãos Perlorian da Ogilvy de Toronto para o Festival Bessies. É uma paródia de como uma idéia nasce e todo o processo pelo qual ela passa até finalmente chegar nas ruas.

Primeiro temos a dupla de criação se matando para ter uma idéia, uma verdadeira boa idéia. Eles pensam, conversam, pensam mais um pouco, até que finalmente um deles tem uma luz. Com a idéia na cabeça, vem o parto, e como sabemos, parir uma idéia é sempre um grande trabalho.
Mas depois de muito esforço, ela nasce. Lá está a tão sonhada idéia, no seu estado mais puro, da forma como foi pensada originalmente, branquinha, incólume.
Porém, como também sabemos, isso não dura muito tempo. A dupla de criação vai entusiasmada mostrar a idéia para o diretor de criação e, como quem acredita em Papai Noel, acham que ele vai aprovar aquela coisa sensacional de primeira.

Mas isso nunca acontece. O diretor de criação praticamente mata a idéia, dá seus palpites, mete o bedelho e a modifica até que ela se adeque ao seu gosto. A idéia tão pura inicialmente já começa a se deformar, e como é ele quem manda, não tem jeito.
O próximo passo é o temível cliente. Você leva aquela idéia, anteriormente já modificada pelo diretor de criação, e mais duas opções para que o dono do dinheiro tenha escolha, lógico. Sem falar muita coisa e nem dar argumento plausível, o cliente descarta idéias e com muito custo uma consegue sobreviver às inúmeras modificações e regrinhas impostas.
Agora é chegado o processo de pesquisa. A idéia é colocada em experimento diretamente com alguns representantes do público-alvo. Mais uma vez a idéia vai sendo modificada, incorporando as conclusões definidas na pesquisa.

Finalmente a idéia, já irreconhecível, vai para as ruas fazer o seu trabalho. A dupla de criação, sabe que não há jeito, terão que se contentar com isso mesmo. Independente do seu desempenho, a idéia é então inscrita em festivais de publicidade pelo mundo afora. Bom, o resultado final você descobrirá assistindo a esse bem-humorado e verdadeiro filme.
Claro que a gente dá risada da situação, mas é realmente o que acontece em uma agência de publicidade. São as regras do jogo, submeter uma idéia a tudo e a todos. Mas vale dizer que aqueles que confiaram na criação até hoje não se arrependeram.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 9.90 MB. Lembrando que é preciso o QuickTime para assistir o vídeo.
2x Tattoo
No Festival de Cannes neste ano aconteceu algo muito curioso: duas peças premiadas com o mesmo conceito e para o mesmo cliente, a Harley Davidson.
Na categoria Outdoor, a agência brasileira Loducca ganhou Leão de Bronze por essa peça criada para a Izzo Motorcycles, representante da Harley no Brasil.
A idéia da tatuagem temporária foi usada para falar do test-drive que pode ser realizado na concessionária.

Já na África do Sul, a Ogilvy também ganhou Leão de Bronze com esse anúncio impresso para a mesma Harley Davidson.
Mais uma vez o conceito da tatuagem removível, mas agora para representar o serviço de aluguel de motos.

Aí vem a discussão de plágio. Foi ou não? A não ser que alguém tenha agido de má fé, duvido que seja uma cópia. Ainda mais envolvendo grandes agências como a Loducca e Ogilvy. Além do que, o plagiador provavelmente nem inscreveria sua peça em Cannes, com o risco de ser descoberto.
Acredito sim que ambas agências tiveram a mesma idéia, muito boa por sinal. Portanto, a discussão que cabe aqui é: Quem teve a idéia primeiro?












