O que foi mesmo que eu assisti anteontem?
Destruir o mundo parece ser o hobby de Roland Emmerich. Para que pensar em roteiros elaborados, dramas inesquecíveis e personagens profundos se podemos resumir tudo a desastres ambientais, invasões alienígenas e meia dúzia de piadinhas sobre a catástrofe que nos espera.
Não, não pensem que estou falando mal de “O Dia Depois de Amanhã”, na verdade, gostei do filme. É divertido, tem cenas fantásticas com efeitos especiais criados em computadores mais avançados do que aqueles que controlam sondas espaciais em Marte.
Mas a história é sempre a mesma. Cria-se um clima de tensão e suspense pré-tragédia, aí vem aquela tonelada de CG’s, chororô de pessoas arrependidas de coisas que não fizeram e no fim uma moralzinha, porque ninguém é de ferro.
Logicamente que o marketing monstruoso nos faz acreditar que estamos prestes a ver o melhor filme de todos os tempos. Meses antes de “O Dia Depois de Amanhã” chegar aos cinemas, já víamos outdoors, comerciais, ações externas (como moldes de pessoas penduradas em postes) e toneladas de publicidade sobre o filme.

Sim, o filme distrai, mas “Independence Day”, do próprio Emerich, continua sendo mais espirituoso e divertido. O lado bom é que em “O Dia Depois de Amanhã” não tem aquela patriotada americana, pelo contrário. E é justamente aí que mora o lado mais interessante do filme, além é claro, de saber que segundo cientistas todos os desastres mostrados são completamente possíveis de acontecer.
A crítica a política ambiental dos EUA, a ironia em mostrarem americanos sendo barrados na fronteira com o México e ainda o discurso: “Obrigado aos países de terceiro mundo, eles é que estão certos e são bonzinhos com a gente.” Tudo isso é absolutamente satisfatório.
Tá, mas isso não dura nem 10 minutos da projeção, voltemos aos efeitos computadorizados. Sim, são realmente impressionantes e convincentes, é legal ver tudo aquilo. A sensação é a mesma de se construir uma metrópole próspera em Sim City 4 e, quando estiver tudo bonitinho, apregoar sobre a cidade as dezenas de pragas inclusas no jogo.
A diferença é que Emmerich tem orçamento para mais efeitos. Mas tudo bem, quando lançarem Sim City 5 acho que já poderemos fazer algo parecido. E convenhamos, ver ondas monstruosas e uma nevasca monumental destruírem uma cidade inteira é divertido pra cacete.

Apesar dos excelentes efeitos, os lobos também criados em computação gráfica me incomodaram. São pouco naturais, deixando claro que não passavam de mais uma CG. Outro fator incomodo, a careta do Dennis Quaid. Ele passa o filme todo sempre com a mesma expressão, cara de quem chupou limão quando nasceu.
Tem também o Bilbo Baggins, quer dizer, o Ian Holm, que faz o papel do professor sabichão que nínguem reconhece, o nerd que sabe tudo de eletrônica e monta um comunicador em cinco minutos, o galã amigo e generoso e a mocinha tão sensual quanto uma folha de alface, por quem lógico, o galã é apaixonado.
Enfim, assistir “O Dia Depois de Amanhã” é sim muito recomendado. Desopila o fígado e massageia o ego, afinal, nós somos o terceiro mundo que, mesmo que não seja depois de amanhã, ainda vai ser generoso com os primos ricos do norte. Apesar disso, é um filme que amanhã mesmo você já esqueceu, nem precisa do depois.













Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 10:04
PURO CLICHÊ! Mas eu também gostei.
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 10:18
Olá!
Eu não vi o filme ainda… mas esta história de Terceir mundo… ha ha ha, não sei se é pura tiração de sarro, imagine só o Bush falando isso… nem morto ele diria isso… a população americana podia estar toda enterrada mas aquele cara iria sempre mostrar seu lado “rambo” de ser he he he…
Um abração!
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 10:52
Taí, o filme é bem aquilo de entretenimento puro. Apesar das alfinetadas políticas, não chega a ser uma coisa que leve o público a relfetir sobre o que etamos fazendo com o nossa bolota azul.
Como vc mesmo me disse, é bem provável que europeus fiquem “bravinhos”, mas também existe a chance de eles relevarem por considerar o conteúdo do filme como banal, e coisas do tipo.
Sou daquelas que pensa “cinem sempre é bom”. Então pronto, vejam “O dia depois de amanhã” e dêem boas risadas (como eu).
Beijoca, Carlos
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 13:06
A minha opnião sobre esses filmes, é direcionado a quem faz o cimema mundial. ” MINHA GENTE VAMOS MUDAR O ÊNREDO!!!! ” Esse disco já cansou…..
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 16:44
Sem contar que os EUA foram obrigados a perdoar a divida externa do Mexico, para este abrir suas fronteiras aos refugiados americanos.
Toda catastrofe tem seu lado bom !
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 17:47
Ênredo? Você está precisando é de umas aulinhas com o Prof. AirJohnny.
Abraços.
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 17:59
Que diabos é CG?
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 18:48
Eita… um xará desinformado?
Tava onde nos ultimos 5 anos cara?
CG = Computação Gráfica
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - 22:38
CG pode ser a moto, Citosina e Guanina, várias coisas..
Quinta-feira, 3 de Junho de 2004 - 8:52
Você viu a propaganda da Revista Super Interessante, na MVT? Aquela em que uma mulher loira lê a revista e seu cabelo começa a escurecer até chegar ao preto.
Estou procurando desesperadamente esse filme.
Você sabería me dizer onde encontrá-lo???
Quinta-feira, 3 de Junho de 2004 - 9:11
Essa concerteza foi a critica mais “diferente” que já li, é muito engraçada e ironica.
ri muito lendo isso, mais sinceramente perdi a vontade de assistir o filme.
Quinta-feira, 3 de Junho de 2004 - 20:54
Certamente uma parte de destaque do filme e que a platéria deu risada foi quando os EUA perdoam a dívida externa. Vale a pena assistir o filme, computação gráfica de primeira. = ]
Sexta-feira, 4 de Junho de 2004 - 7:59
Só uma pequena correção, o nerd perito em eletrônica não monta uma comunicador não, ele simplesmente conserta um radinho de pilha, o que deve ser bem fácil de fazer.
Terça-feira, 8 de Junho de 2004 - 18:31
Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005 - 14:19
Lendo esse post (acho que tô lendo o blog todo), uns sete meses depois, encontro determinado trecho:
“E convenhamos, ver ONDAS MONSTRUOSAS e uma nevasca monumental destruírem uma cidade inteira é divertido pra cacete”….
Acho que é melhor mudar essa parte hehehehhehe…
Mto bom o blog…..
Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2005 - 23:48
The only difference between a rut and a grave is the depth. Seasonale Birth Control
Segunda-feira, 2 de Maio de 2005 - 12:23
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Sábado, 4 de Junho de 2005 - 4:21
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