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Num futuro não muito distante…

Sexta-feira, 26 de Março de 2004 | 12:50 pm

Os movimentos anti-publicidade existem no mundo todo, é aquele velho blábláblá sobre mensagens que influenciam e persuadem a população inocente e ingênua.

Regras e mais regras. Não se pode anunciar nem isso, nem aquilo, e muito menos falar tal palavra em comercial. Frente a tudo isso, trago hoje aqui no Brainstorm #9 um texto do Fábio Fernandes, diretor de criação da F/Nazca.

Serve de reflexão e posterior discussão de vocês nos comentários. Será que a publicidade é tão culpada pelos problemas que a acusam, será que é mesmo um cadáver que nos sorri, como já disseram certa vez?

Acho que chegou a hora de governos e orgãos anti-publicidade pararem de tratar os consumidores como pessoas desprovidas de inteligência, bom senso e vontade própria…

“O fim da publicidade”

Num país distante, um sujeito estava vendo tevê. Passou um comercial de cerveja. O sujeito sorriu. Na verdade, gargalhou. Ele gostava de comerciais como aquele, com bom humor. Aí ele olhou para o lado e viu que seu filho tinha gostado também: “Legal esse né, pai?”. Concordou. E passou a odiar aquele comercial.

Como é que podia um comercial engraçado, agradar também ao seu filho, um imberbe menor de idade? Se eu, que sou inteligente para discernir entre o certo e o errado, quase gostei desse comercial como não estará a legião de pobres incautos consumidores?

Decidiu escrever uma carta para o Congresso. Algum deputado leu e concordou: inteligente, já havia pensado nisso. Fez um projeto de lei que foi votado e… pronto, salvou a sociedade: nunca mais haveriam comerciais de cerveja a infestar as ingênuas e influenciáveis cabecinhas.

Tempos depois, outro consumidor atento reparou nos comerciais de cosméticos. Ora, raciocinou, a busca pela juventude eterna, a celebração da estética, tudo em detrimento do conteúdo verdadeiro de nossas almas. Isso corrobora o abismo entre os despossuídos, que estarão irremediavelmente associados ao conceito do “feio” enquanto aos mais ricos caberá sempre a imagem de jovialidade, beleza e saúde. Solução: fim da propaganda de cosméticos em geral.

Todos aplaudiram no Congresso daquele país. Mas, eis que outro senador, igualmente inteligente (mais que a média da população daquele país, com tão poucos consumidores inteligentes), levantou outra questão. Se automóveis atropelam e matam, então melhor seria que não fossem anunciados para não despertarem nas próximas gerações a vontade de dirigi-los.

Foi por aclamação: aprovado. Assim como a emenda contra propagandas de hambúrgueres, e, já que esse era o assunto, de alimentos e restaurantes em geral, que era mesmo um despautério num país com tanta fome se admitir propaganda mostrando pessoas felizes comendo.

Aliás, por que as pessoas tinham que estar alegres na publicidade? Para despertar rancor nos entristecidos? E ficou proibido o sorriso na propaganda. No máximo seria permitida uma insinuação, de canto de boca.

E depois da meia-noite, já que os tristes dormem cedo. Alguém lembrou dos insones solitários. E cortaram do texto aquela liberalidade.

Propaganda de moda? Segregacionista. De sabão em pó? Racista, sempre que valoriza o branco. De banco? Pelo amor de Deus, será que ninguém ainda parou para ver o que está embutido nas mensagens dos comerciais de banco, gente? A sensação de que só com o dinheiro se pode ser feliz, lógico! Cartão de crédito? Este mês, até sem dinheiro, você pode ser feliz, caramba.

Nos jornais, a imprensa apoiava cada uma das medidas. Alguns jornalistas adoravam a idéia de que seus salários são integralmente pagos pelo leitor que compra jornal na banca: publicidade só enfeia o conteúdo editorial.

A sociedade acuada pela sórdida propaganda apoiava as medidas. E reclamava de toda publicidade que brincasse com qualquer uma das suas convicções pessoais. Gordo não pode, magro, também. Padre, freira, careca, viúva, estudante, feio, bonito, mais ou menos feio, surfista, narigudo… nem pensar. Satirizou homem, é feminista. Mulher, lógico, é machista. A sociedade estava de mau-humor.

Até que um dia, alguém na casa do vizinho sorriu. Na verdade, gargalhou. E o sujeito que ouviu aquilo, não se sabe por que, teve uma intuição de que aquilo poderia ter alguma coisa a ver com a *&*%#!+*# (a palavra ?propaganda? tinha sido proibida). Será que inventaram um câmbio negro de *&*%#!+*# e o meu vizinho conseguiu com traficantes uma fita de vídeo cheinha de *&*%#!+*#s engraçadas?, pensou o formador de opinião. Pelo sim, pelo não, chamou a polícia.

Caregorias/Tags: Diversos
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44 Comentários para “Num futuro não muito distante…”

  1. Kenshin Br:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 14:50

    Mas acho que comercial de cerveja devia ser proibido mesmo hahaha.


  2. mim:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 15:17

    Se proibissem propaganda no meu país eu mudaria de país!!! Eu só ligo a TV para assistir filmes e propagandas!!! O mercado negro (paraíso) das propagandas já está criado e é aqui!!! Salve a liberdade de expressão!!!


  3. bbb:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 16:46

    Mim, faço de suas palavras as minhas, aliás se proibissem propaganda eu morreria de fome…


  4. Vanessa:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 17:34

    Proibir a Propaganda não resolveria os problemas sociais, já que muitos destes existem antes mesmo da propaganda.A publicidade ou propaganda, somente oferece um artigo que alguém transformou em necessidade, nós publicitários transformamos a necessidade em desejo e o desejo em algo indispensável.

    Bjs.


  5. Rafael:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 19:02

    Esse papo de que “a publicidade oferece somente um artigo para a sociedade de consumo” ou que “a sociedade estava de mau-humor” é muito bonitinho. Mas medíocre. Todos aqui sabem o quão poderosa é a publicidade. Ela não tem somente o poder, nem a meta, de atrair os consumidores de uma marca para outra. Tem também a função, desempenhada muito bem, de formar novos consumidores. De embutir nos consumidores, novas formas de consumo. Daí a necessidade de se regulamentar a publicidade de cigarro (ou vocês já esqueceram das belíssimas campanhas dos cigarros Hollywood com os icebergs, da Free e seus consumidores descolados, e dos destemidos homens da Marlboro?) e de álcool.
    Os publicitários sabem direcionar as campanhas para públicos-alvos interessantes aos anunciantes, e quando esse alvo começa a apontar para crianças, deixa de ser publicidade e passa a ser crime (aliciamento de menores).
    Talvez eu esteja exagerando, não é mesmo?
    Por favor caríssimos publicitários, respondam minha dúvida, a função de vocês é de entreter ou vender? Parece ter gente confundindo seu ofício…
    sem mais e profundamente decepcionado,
    rafael


  6. mpop:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 19:38

    gostei muito do texto…
    mas devo concordar com o rafa…
    tambem sou publicitario. e acho que publicitarios (nós) são todos frustrados. artistas frustrados…
    se alguns confundem o entreterimento com o oficio, eis a causa. talvez quisessem ser comediantes, atores, escritores, cineastas…
    estes, realmente entreteem e informam e fomam…. (apesar de que até mesmo eles vendem hoje….)
    fazer o que? o mundo está vendido!


  7. Victor:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 23:12

    :)


  8. Princess_of_Pain:
    Sexta-feira, 26 de Março de 2004 - 23:37

    Peguei esse texto pra mandar pra minha turma de publicidade…. pode ser?
    Beijinhos


  9. Xiru:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 1:33

    num me leva a mal… mas achei fraquinho….

    simplório… o cara que escreveu foi mais maniqueísta que a sociedade que ele descreveu…..

    mas valeu o post… na verdade achei o conto interessante, mas não tanto quanto “anunciado”…

    certo??
    abração, brow..


  10. Thiago:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 9:16

    Pra mim a publicidade ainda é a melhor ferramenta de marketing para gerar lucro para o anunciante, o que me entristece é a situação das agências que as vezes são tratadas como prostitutas dos anunciantes. A propanda é ferramenta tanto pro bem quanto pro mal, eu penso que se eu influencio minha mãe no PDV, no ato de compra, a trocar um óleo de soja por um de girassol, dizendo, sua família num merece algo melhor? Imagina o que eu faço com a cabeça dos jovens instituindo preconceitos contra gente ‘quadrada’, a propaganda influencia sim e nem sempre é pro bem. E o que me deixa triste também, são as agências não trabalharem em troca de também fazer uma campanha pelo consumo álcool moderado. Eu mando pra aquele lugar quem me contradizer, até pouco tempo as propagandas de cereveja incluiam notas minúsculas e rapidíssimas de ‘beba com moderação’ e blá blá blá. Embora eu tenha visto a Skol fazer uma propaganda contra o uso álcool no volante.
    Onde quer o chegar é o seguinte, o Sr. Fabio Fernandes tem razão e também num tem razão quando acreditamos que o povo não tem vontade própria e bom senso. O cidadão que ligou pra polícia dizendo que tal propaganda está agradando crianças num tem razão? Ele está certo, ele tem vontade própria, ele gostou da propaganda, só que agora o filho dele que está crescendo está gostando também. Esquecer das propriedades psicológicas da propaganda no ser humano é fácil também, né. Se um ser humano num tem vontade, o que faz a propaganda? Direciona a vontade pra ele, isso pode ser um discurso de alguém de esquerda. Mas num é, eu só imaginaria o barulho na cabeça das pessoas o que cabeças como Nizan Guanaes faria caso ele pegasse a conta da Sabesp -nada contra a Giovanni FCB, pra acabar com o desperdício de água. Muita coisa tá migrando para a responsabilidade social, só a propaganda que insiste em não fazer isso.


  11. Eu Mesmo:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 12:24

    Cara,


  12. Rafael:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 13:02

    Muito bom o texto…


  13. Victor:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 13:10

    Parabéns por ter concorrido até o último instante ao Top3. Esperamos que ano que vem você consiga passar para a fase. Até!


  14. livia:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 13:28

  15. Rafae Peixoto Ferreira:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 14:48

    Depois de trabalhar varios anos com propaganda, voce começa a sentir náuseas de tudo, do trabalho, das festas, …vamos todos para o inferno infelizmente.


  16. rhas:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 14:59

    Bela exposição de idéias. é isso ai nosso publico alvo pensa e reage, e se reagem dessa ou de outra forma muitas vezes não por estimulo único do VT e sim por todo um contesto social que a séculos vem formando regras, tabus e determindando nosso modo de pensar. A igreja, o governo, nosso clube, a familia, se influenciar comportamento é crime, enjaulem o mundo…….


  17. luc@:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 20:02

    Carlos, concordo com o Xiru.

    A idéia do texto é boa, mas o
    desenrolar é bem fraco. Às vezes até previsível.

    Mas é que a sua redação é excelente, cara. E a gente fica exigente.

    um abç

    luc@


  18. Carlos Merigo:
    Sábado, 27 de Março de 2004 - 22:45

    É no mínimo ingenuidade achar que publicitários venderiam “cigarros para crianças”. Daqui a pouco dirão que comemos criancinhas.

    Não se pode culpar a publicidade pelas mazelas sociais e atitudes individuais de um ser.

    O papel de propaganda é despertar desejo, transformar a necessidade em vontade. Nada mais.

    É obra de ficção achar que a publicidade esteja controlando a cabeça de uma pessoa. Isso parece mais “Admirável Mundo Novo”.

    A publicidade pode lhe sugerir um desejo, mas nunca obrigá-lo a ir até a geladeira e abrir uma latinha de refrigerante.

    A propaganda cria marcas, cria imagens, não faz lavagem cerebral.

    Aliás, vivemos de marcas. Estou digitando num teclado Genius, olhando para um monitor IBM, alimentado por uma placa Nvidia, e tudo com a ajuda de um Windows XP.

    A publicidade, diferente das outras profissões, é o próprio sistema. E nós aceitamos ele e vivemos nele.

    Quem não estiver satisfeito, pode se mudar para uma ilha deserta, plantar alface e fazer da pesca o seu trabalho.


  19. Thiago:
    Domingo, 28 de Março de 2004 - 0:07

    A propaganda não obriga ninguém a nada, num vamos generalizar, Carlos. E tanto eu quanto você sabemos que a propaganda está mais para segmentação de mercado -é o que ocorre, portanto atendendendo a preferências específicas, do que para padronização do ser humano, logo comparar ao livro Admirável Mundo Novo, de Huxley, acho muito forçado.
    A propaganda utiliza de preconceitos, se utiliza de estereótipos, a propaganda é formada de opinião. E nunca a propaganda é responsável por um problema social, mas também ela num faz sua parte no que diz respeito a responsabilidade social.
    E o discurso de esquerda anti-marcas não é o que está em questão, porque não há nada melhor para diferenciar um produto de outro do que a marca, a partir da experiência o cliente vai saber o que escolher e o melhor para ele.
    Mas pense comigo, qual foi a tentativa do pai da psicanálise ao analizar comportamentos do ser humano estudando a fundo a psique? Talvez, primordialmente, ter uma resposta a certos problemas, ausências, doenças do homem, certo? Mas porque eu estudo Freud na propaganda? Pra usar o estudo dele em benefício de um produto, ou seja, sei lá, criar imagem de marca, diferenciação positiva, tudo o que o problema da empresa quiser resolver, para levar o indivíduo ao ato de compra. Propaganda induz, forma opinião, do mesmo modo que Fabio Fernandes também o faz, só que ele protege o dele.
    E não sei se é forçar a barra dizer que o target de tal empresa era menores de idade. Hoje em dia as empresas de celulares num estão nem aí em educar as pessoas com PROPAGANDA para não jogar baterias no lixo, porque a longo prazo aquilo pode contaminar o lençol freático. Hoje quem recolhe a maioria das baterias de celular são os corpos de bombeiros, imaginem, um orgão da importância dos bombeiros tendo que recolher as baterias, gastando dinheiro do Estado, logo do contribuinte. A Petrobrás num contamina milhões de manancias do Brasil, mas depois num faz uma propaganda na tv dizendo que fez a melhor monografia sobre o mico leão dourado? E a fundação SOS Mata Atlântica que vive sendo assediada pela gigante do Petróleo para levar o nome da ONG em suas propagandas, mas a ONG exigiu que para isso a empresa deveria fazer manutenção dos seus canos condutores de óleo, mas a empresa sempre sai de fininho em cumprir essas metas. A Petrobrás causa um acidente, logo depois vem a propaganda limpando o bumbum da petrobrás que continua poluindo.
    Ah, me esqueci de um ex-presidente da Souza Cruz que exigia que seus funcionários fumassem, vocês lembram desse caso? A propaganda parte de conceitos pré-definidos, ou seja, PRECONCEITOS, e parte disso pra criar anuncios botar a mente dos anunciantes em dúvida.
    Lembrei quando a campanha ilha quadrada colocou jovens dançando música clássica com o danúbio azul de fundo, de Johann Strauss. Bem legal pra imagem da música clássica para os jovens, bem legal para as pessoas que gostam de música clássica, serem taxadas de quadrada. Foi ofensivo, e ainda o Fabio Fernandes teve cara de pau de se defender.
    A propaganda é puta de anunciantes, num tem voz própria, poucas agências tem.

    Propaganda gera atitudes, muda hábitos, cria comportamenos novos em favor de algo… num é bem uma lavagem cerebral, mas é parecido. Num é a toa que hoje os publicitários, pelo menos os mais decentes, estudaram Göebbels e o Congregatio de Propaganda Fide, a Contra-Reforma, da Igreja Católica.


  20. Thiago:
    Domingo, 28 de Março de 2004 - 0:14

    Desculpa se falei meio enrolado, tô morrendo de sono, é só ler devagar que acho que dá para entender. Mas no geral é isso, sou a favor da propaganda, o que é foda é que os próprios publicitários desprezam o poder que essa ferramenta tem, ou desprezam quando é conveniente para eles. Também acho que todo mundo tem livre arbítrio, mas se hoje em dia eu fosse um todo poderoso, algo como Hitler foi, eu poderia numa boa ter partido de um conceito pré-definido -como o sentimento de derrota e impotência após a primeira guerra mundial, e criar a minha legião de desmiolados a meu favor. Num serve para vender produtos, eu acho. Mas é bom para verem o poder que a propaganda tem.


  21. Paulo Antonouza:
    Domingo, 28 de Março de 2004 - 16:53

    Achei o texto muito bom, e cabe exatamente como ponto de partida para discussões sobre o poder do marketing (entre outros temas). Leciono Artes em uma escola pública e venho desenvolvendo um projeto de publicidade com meus alunos de segundo colegial. Depois de apresentados ao tema, de lerem textos, conhecer práticas e exercitar seu aprendizado, os alunos criam agências publicitárias para organizar a disputa da eleição do grêmio escolar. O projeto, que já existe a quatro anos e vem sendo aprimorado desde então, desperta em muitos a vontade de prosseguir nessa carreira.
    Tomei a liberdade de copiar o texto para utilizá-lo em sala de aula, obviamente, com uma menção ao autor e a seu blog.
    Obrigado desde já.
    E parabéns pelo conteúdo apresentado em sua página.


  22. :
    Segunda-feira, 29 de Março de 2004 - 12:54

    Discutir publicidade é como discutir política, futebol ou religião. Tenho conceitos bem definidos a respeito da arte da publicidade. Sou completamente apaixonada por essa forma de ver o mundo. Acredito q o conhecimento do mundo publicitário é capaz de expandir os nossos campos de visão.
    É verdade. Existe mta propaganda anti-ética, q naum respeita os princípios de toda a sociedade, que são formadoras de opinião e tal, mas o público q tem acesso a elas são seres pensantes, dotados de inteligência e livres para escolher o q lhes convier.
    O papel da publicidade é vender, primeiramente, assim como um vendedor, um representante comercial. Nunca vi nenhum profissional desse setor ser julgado como nós, publicitários. Talvez seja a utilização dos meios de comunicação de massa o culpado de todo esse alvoroço constante.

    Nem todas as agências aceitam trabalhos q consideram anti-éticos. Nem todos publicitários são putas dos clientes.

    Sou a favor da publicidade q diverte, q conscientiza e q consegue vender, da forma mais honesta, comovendo, simpatizando, e sobretudo, mostrando o q o produto tem de melhor. Despertando um desejo recolhido.

    Vivemos numa sociedade extremamente consumista, isso independe da publicidade. A publicidade é apenas uma roda dessa máquina, formada por uma engrenagem complexa que naum para de funcionar.

    Não somos deuses, nem demônios. Somos um dos responsáveis pelo bom funcionamento da máquina capitalista q rege nossa sociedade. Não podemos fugir disso. Agora, cabe a cada um de nós, publicitários, escolher entre o ético e imoral.


  23. Francisco Maximiano da Silva:
    Segunda-feira, 29 de Março de 2004 - 14:02

  24. Oasisado:
    Segunda-feira, 29 de Março de 2004 - 14:18

    Depois eu leio os comentários do pessoal mas vo deixa minha opinião formada aqui sobre esse texto.
    Primeiramente, sem os comerciais, alguem poderia me falar do que as emissoras de TV ficariam em pé? Porque com programas eles pagam salários pros apresentadores, montadores de cenário, etc. Eles ganham dinheiro não só com propaganda mas também com outras fontes, creio eu que a propaganda é a principal.

    Não acho que isso irá acontecer, e se algo desse tipo acontecer, de proibir propagandas que façam as pessoas “perder” a auto-estima por causa de uma ou outra coisa realmente o país que proibiu é uma verdadeira @$@#%#$^#%&@.


  25. bbb:
    Terça-feira, 30 de Março de 2004 - 11:41

    Dé falou tudo!! Tanta discussão….. caramba!


  26. Rafael:
    Quarta-feira, 31 de Março de 2004 - 15:01

    É deprimente ver cidadãos tentando defender seu pão a qualquer custo.

    “É no mínimo ingenuidade achar que publicitários venderiam ‘cigarros para crianças’. Daqui a pouco dirão que comemos criancinhas.”

    Carlos, você que transita tão bem entre essas teias cibernéticas deveria ser informar melhor. Talvez lendo um livretinho editado pela Publifolha “O Cigarro”, ou talvez procurar em sites anti-tabagistas.
    As empresas de cigarro americanas sabiam que cigarro fazia mal, causava uma série de doenças. O que eles fizeram? Lançaram campanhas publicitárias que enfatizavam o quão poderoso eram os homens fumantes. Mais do que negar, eles afirmaram através do melhor meio possível que cigarro era bom.

    Talvez seja muita ingenuidade minha quando acredito que empresas de cigarro, através dos publicitários, vendam cigarros à crianças.

    Talvez tenha sido muita ingenuidade minha quando com 12 anos de idade comecei a fumar em eventos sociais (shoppings, shows, escola) para impressionar as garotas.

    O governo não está processando as empresas publicitárias por produzirem peças, nem por corrupção de menores, nem por coisa alguma.
    Não está culpando vocês pelas mazelas sociais. Está somente limitando a publicidade.

    “O papel de propaganda é despertar desejo, transformar a necessidade em vontade. Nada mais.”

    É isso que não pode ser feito livremente. No momento em que se consegue tranformar o desejo de uma criança em tornar-se homem através de produtos, tais como cigarro e bebidas, cria-se uma possibilidade de transformar a VONTADE em NECESSIDADE. “Beba e mulheres cairão aos seus pés” “Fume e atinja seus objetivos”. Esse é o problema.

    Você sabe do que é capaz. Não tente se passar por um simples trabalhador que faz campanhas bonitinhas e somente.
    Ou você é muito INGÊNUO, ou foi muito bem ADESTRADO. Pelo SISTEMA, afinal, “A publicidade, diferente das outras profissões, é o próprio sistema.”


  27. Igor Martins:
    Quarta-feira, 31 de Março de 2004 - 18:27

    Publicitário tem função de entreter? Desde quando colega? VENDER VENDER VENDER isso sim!
    Publicitários Fodões e Criativos sobrevivem…
    atores, jornalistas e palhaços de circo é que dão diversão ao povo. A gente só quer a grana!


  28. Filipe:
    Sexta-feira, 2 de Abril de 2004 - 12:44

    Nossa, que texto idiota. Se pudesse substituir esse texto por “1984″ do George Orwell seria mais interessante.


  29. Ricardo:
    Sexta-feira, 2 de Abril de 2004 - 15:15

    Depois de ler o texto, pensei no que teria levado o Fábio Fernandes a descrever tal cenário. Me lembrou a ditadura, onde as informações eram controladas pelos militares governantes.

    Entendo o teor do texto e até certo ponto concordo com ele. O que não entendo é o fato das pessoas acharem que é a propaganda que deve educar alguém. Eu tenho 1 filha de 3 anos. se ela está vendo um comercial de cigarro ou de bebida e achou legal, é meu dever como pai perceber e instruir a minha filha a respeito.

    Sou eu como pai que tenho que observar, conversar, e direcionar. Sou eu qem tem de educar minha filha.

    E faço isso. Sempre. Esperar que a tv ensine e eduque seu filho enquanto você assiste futebol, é no mínimo ridículo.

    E todos se esquecem que o próprio jornalismo manipula as notícias com intuito de vender mais jornal, de ter mais audiência naquele horário, etc.

    Esses sim deveriam ser rigorosamente fiscalizados, trabalham com notícias e deveriam informar tal qual aconteceu, mas de um canal para outro a mesma notícia sempre tem diferentes direcionamentos.

    Os meios de comunicação estão aí para comunicar. O que fazer com essa informação é livre arbítrio de cada um.


  30. Van:
    Sábado, 3 de Abril de 2004 - 18:56

    É engraçado como na sociedade toda existe uma estranha mania de culpar fatores externos por nossas incompetências. Se não temos autoridade para ensinar aos nossos filhos a saber o que é certo e o que é errado,então de que adianta achar que proibindo isso ou aquilo na mídia resolveríamos todos os problemas? É muito fácil culpar outros fatores pela nossa falta de autoridade frente aos nossos filhos, culpar o governo, as propagandas de cerveja, os flanelinhas ou as borboletas do Afeganistão…


  31. Hugo:
    Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004 - 20:31

    Ironia fina + argumentos ingênuos - preocupação social = História engraçadinha + alienação publicitária.

    Como estudante de publicidade, algumas vezes tenho nojo da postura de alguns profissionais.

    Mas é isso aí !
    Vamos continuar fazendo anúncios engraçadinhos, bonitinhos, que ganhem milhares de prêmios em Cannes ! É tudo o que importa.

    O “sistema” agradece …


  32. Felipe:
    Terça-feira, 18 de Janeiro de 2005 - 21:57

    A propaganda é o reflexo da sociedade.

    Os publicitários não são o reflexo da sociedade.

    Logo os publicitários não fazem propaganda (não para eles e sim por eles).

    Premissas e ditados, sociedade e desigualdade, ignorância e comunicação, capitalismo e o povo.

    Tenta-se vender o que a maioria não pode comprar.

    Esse é o motivo da Anti-Publicidade.


  33. Carlos:
    Segunda-feira, 21 de Março de 2005 - 20:15

    Ae pessoal, estou querendo fazer uma monografia sobre esse assunto, porém com uma diferença. Estou procurando me focar nas propagandas humorísticas que estão sendo lançadas ultimamente pelas montadoras de veículos do país. Mas estou com dificuldades para encontrar uma bibliografia, ou algo em que me embasar(acho que é assim). Alguém poderia me ajudar?????Grato.


  34. mariana:
    Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 - 9:05

    q merda di syte num serve p/ merda ninhuma


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    Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2006 - 14:04

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    Sexta-feira, 3 de Março de 2006 - 16:23

  43. Rustie:
    Sexta-feira, 3 de Março de 2006 - 19:47

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  44. Carlos Eduardo Rosenthal:
    Domingo, 1 de Abril de 2007 - 12:09

    Interessante o texto!



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