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Arquivo para o mês de Março de 2004

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18º Semana Internacional da Criação Publicitária - 2º Dia

Quarta-feira, 31 de Março de 2004 | 2:06

:: Chega de diversão

O segundo dia da 18º Semana Internacional da Criação Publicitária contou com duas palestras. A primeira da alemã Judith Mair, CEO da agência Mair u. a. de Berlim, que veio falar sobre o polêmico tema diversão no trabalho, além de apresentar sua agência e alguns anúncios premiados.

A polêmica em torno de Judith é por conta de seu livro, intitulado “Chega de Diversão” (End of Lust), publicado na Coréia do Sul, Holanda, Brasil e Finlândia. Segundo ela, a associação do trabalho com o lazer pode ser muito prejudicial a empresa.

Principalmente na publicidade, existem diversos mitos de que o trabalho é puro divertimento. Judith defende a tese de que isso pode virar uma bagunça, o ambiente descontraído pode levar a pessoa a crer que sempre existirá outro alguém para fazer o serviço por ela.

Em sua agência, Judith instituiu certas regras, como o horário fixo de trabalho e organização administrativa. Segundo ela, o horário livre faz a pessoa trabalhar dobrado e causa certo desconforto naqueles que preferem sair as 18:00.

Em muitos pontos concordei com o discurso de Judith, já que ele defende que todos precisam ter uma vida social saudável, sair no fim de semana com os amigos, viajar e etc, ao invés de passar madrugadas a fio na agência. Com uma vida social ativa, o funcionário poderá render muito melhor no trabalho.

O gerenciamento pela emoção é muito aplicado nas empresas atualmente, portanto, se esquecem da hierarquia necessária muitas vezes para a tomada rápida de decisões. Mas Judith não é a favor apenas de uma postura pragmática, mas sim da combinação dos termos diversão e trabalho.

Muitos dizem que trabalham e se divertem, mas não passa de encenação. Hoje se trabalha muito menos manualmente e mais com o pensamento, portanto, é preciso ter disciplina. O mercado exige muito e a tão sonhada farra dura pouco.

Segundo ela, hoje não trabalhamos mais com horários, apenas com deadlines, metas. É aquele papo: “Chegue a hora que quiser, desde que você seja lucrativo”. Logicamente que as agências não reclamam do horário livre, já que trabalha-se muito mais.

Resultados negativos disso: O brilho e empenho do funcionário se medem pela sua presença, e não pelo talento. É aquela espécie de trabalhador cronômetro, que muitas vezes fica até tarde para se exibir.

O trabalho desmedido não é saudável. Muitas empresas adotam o sistema de disponibilizar serviços dentro do local de trabalho, como cabeleireiro, babá, academia, etc. Judith declarou ser contra isso, já que o funcionário nunca sai da empresa pra nada e logo estarão dizendo o que você deve colocar no pão no café da manhã.

Outro problema nas empresas, é que contratam pelo que a pessoa é e não pelo que ela sabe. O resultado disso são as Soft-Skills, diversas “habilidades” que geram uma personalidade standart.

Uma pesquisa na Alemanha indicou que quando perguntadas sobre seu maior defeito em entrevistas de emprego, as pessoas respondem que é a impaciência. E porque dizem isso? Porque ser impaciente é uma vantagem para a empresa. Estão se criando pequenas receitas do que se deve dizer quando procurar um emprego. Uma empresa não pode ser formada por pessoas com o mesmo perfil, a pluralidade é necessária.

Muitas pessoas que estão começando na área, acreditam que criar é ficar sentado na praia esperando por uma boa idéia. Segundo Judith, não devemos ver um criativo como um visionário, um artista, pois é preciso criar com eficiência e produtividade.

Como em qualquer outra área, existe o trabalho chato a se fazer. Portanto, a diversão é uma promessa falsa, algo subjetivo. Judith acredita que um trabalho regrado nos dá mais tempo para aproveitar a vida.

:: Mercado alemão

Judith também falou sobre a publicidade alemã, contando que a economia no país está ruim há cerca de 3 anos. As pessoas não estão comprando, não estão assumindo riscos. É por isso que a publicidade mudou seu papel na Alemanha. Antes se criava necessidades e desejos no consumidor, hoje mostram como gastar menos.

Muitos anúncios alemães adotam táticas de varejo, até as grandes empresas. O amarelo predomina nas peças, e o preço grafado em negrito preenche quase todo o espaço do anúncio. O medo do futuro está tornando a publicidade alemã demasiadamente varejista e moderada.

Em contrapartida, Judith mostrou diversos anúncios excelentes, como uma comunicação integrada da Adidas e hard-sell entre Euro Express x UPS e KFC x Mc’Donalds.

:: Criando com a criação dos outros

A segunda palestra da noite ficou por conta de Daniela Diesendruck, diretora de arte da Licesing Solutions, convidada pelo Cartoon Network. Daniela já trabalhou na Disney e hoje dedica-se ao desenvolvimento de produtos licenciados de personagens.

A palestrante mostrou como se criar campanhas utilizando personagens consagrados de filmes e desenhos animados. Tais personagens podem ser tornar marcas fortes, e criam relação emocional intensa com os consumidores.

O fortalecimento do produto é imediato, e se engana quem pensa que funciona apenas com crianças. Muitos adultos têm conexões com desenhos animados. Mesmo assim, sabe-se que a criança tem forte influência na hora das compras.

Uma pesquisa revelou o que mais fazem a cabeça das crianças na hora de comprar: 73% televisão, 50% personagem famoso e 48% embalagem impactante.

Mas antes de escolher um personagem para representar sua empresa, é preciso ponderar certas questões. Deve-se tomar cuidado para que o personagem não ofusque o produto, e ter certeza se ele não é apenas mais uma moda que logo vai desaparecer.

Existem 5 maneiras de se utilizar personagens: em produtos licenciados, em promoção com brinde, com o personagem endossando o produto ou o reforçando sem endosso. E por último, com um personagem do próprio cliente.

A aparição do personagem na campanha também pode ser diferenciada: sem animação, com animação pré-existente ou com animação inédita, criada exclusivamente para o comercial. Todas são eficientes, mas a animação inédita permite infinitas possibilidades, além de obviamente ser mais cara.

Para se escolher um personagem é preciso definir a personalidade do produto. Saber qual o objetivo e público-alvo, além de verificar a exposição do personagem na mídia e quanto tempo ainda ficará no ar.

Daniela explicou que existem diversos mitos quanto a se usar personagens famosos na publicidade. Acreditam que é complicado, caro e demorado, mas é mais fácil do que parece.

O primeiro passo é saber quem licencia o personagem no Brasil, o site da Abral é um bom ponto de partida. Para requerer o uso do personagem é preciso dizer qual o prazo do contrato, em quais mídias será usado, região e se for o caso, em que brindes estará presente.

Daniela exibiu diversos comerciais com personagens famosos, muitos deles com Os Simpsons como protagonistas, que arrancaram risos da platéia.

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| Hoje no Passado |

  • 2006: Light secure — Eu sei que vocês querem publicidade, então vamos lá. Mas não esqueçam que o Museu das Escadas Publicitárias continua recebendo [...]
  • 2006: Museu das Escadas Publicitárias — | Atualizado: 17/04/2006 - 17:03 A partir de agora, o Brainstorm #9 orgulhosamente inaugura o: Museu das Escadas Publicitárias. Porque devemos [...]

18º Semana Internacional da Criação Publicitária - 1º Dia

Terça-feira, 30 de Março de 2004 | 12:42

Teve início ontem em São Paulo e Porto Alegre, a 18º Semana Internacional da Criação Publicitária, onde profissionais dos Estados Unidos, Argentina, Inglaterra, Alemanha e Brasil irão apresentar diversos cases e falar das tendências na publicidade mundial.

E como não poderia ser diferente, esta vai ser uma semana especial aqui no Brainstorm #9. De hoje até sexta, trarei as novidades e comentarei sobre o que foi falado nas palestras aqui em São Paulo, no teatro do Hotel Maksoud Plaza.

Ontem, dia 29, Jonathan Harries, vice-presidente executivo e diretor mundial de criação da FCB Chicago, abordou assuntos interessantíssimos. Há 18 anos na área de publicidade, Jonathan já passou pela Grey e Leo Burnett, tendo na bagagens alguns Leões de Cannes e Clios Awards.

Dividirei o post em tópicos, conforme foram abordados na palestra de ontem, para facilitar o acompanhamento de vocês.

:: “Se nós anunciássemos como esses caras jogam poker.”

Jonathan Harries comparou a publicidade a um jogo de poker, fazendo uma analogia com as regras de se jogar e de anunciar.

Muita gente acredita que vencer no poker é primordialmente uma questão de sorte, mas Jonathan perguntou: “Então, porque no ranking de campeões do poker estão sempre os mesmos jogadores?”

Porque não é sorte, é habilidade. É preciso saber prever o movimento do seu adversário, pois quanto mais informações você tem que ele não tem, maior sua chance de vitória. Assim é na publicidade.

Aliás, vale recomendar o filme “Cartas na Mesa” (Rounders) com Matt Damon e Edward Norton, que trata sobre a mesma questão.

:: O que dizer é mais importante do que como dizer

Jonathan também tocou num ponto que muito já discutimos nos comentários aqui do site, sobre propaganda como forma de arte e não como artifício de venda.

Toda propaganda é (ou deveria ser) criativa, mas nem tudo o que é criativo é uma propaganda. Para demonstrar isso, foram apresentados dois comerciais premiadíssimos: “COG” da Honda e “Sheet Metal” da Saturn, ambos já publicados e comentados aqui no Brainstorm #9. (Clique no título dos anúncios para acessá-los.)

Segundo Jonathan, o anúncio da Honda criado pela Wieden+Kennedy é brilhante e altamente vendedor, pois fala da performance e qualidade do carro numa brincadeira absolutamente criativa. Porém, o filme da Saturn criado pela Goodby, Silverstein & Partners é um produto criativo, mas que não funciona como uma propaganda.

A Saturn é um braço da GM, e seu foco foi sempre falar do relacionamento do carro com as pessoas. O anúncio “Sheet Metal” faz justamente isso, humaniza o produto, atinge o sentimento das pessoas.

Mas o resultado foi desastroso. As vendas caíram, só no último trimestre, cerca de 20%. A agência já substituiu a campanha, e tenta agora recuperar o dinheiro (do cliente) e o tempo perdido.

Jonathan explicou que a Goodby, Silverstein & Partners esqueceu que o que motiva as pessoas a comprarem um carro é, na maioria das vezes, a performance e o status. Portanto, nesse caso, os criativos não tinham a coisa certa a dizer.

Segundo ele, o maior problema da publicidade hoje, é que as pessoas se preocupam mais em como dizer, do que no que dizer. É preciso saber primeiro qual mensagem passar, é só depois pensar em sua execução. Posicionamento é a palavra-chave. Ou seja, assim como no poker, é preciso primeiro saber como jogar.

:: Assumindo os riscos

Outra
questão discutida por Jonathan foi os riscos que devemos assumir
ao criar uma campanha. A FCB de Chicago ganhou no ano passado a conta,
que antes era da BBDO, da rede KFC,
os famosos frangos fritos do Kentucky.

Na época, as
vendas da KFC estavam caindo vertiginosamente, principalmente devido ao
movimento anti-obesidade nos EUA. O frango frito é altamente gorduroso,
e não precisou muito para os consumidores enxergarem a KFC como
uma empresa que não vende comida saudável.

A proposta da FCB foi mudar esse panorama, afirmando na TV que frango frito é sim, muito saudável. Claro, ninguém nega sua característica hiper-calórica, mas as proteínas e vitaminas de um frango trazem muitos benefícios a saúde.

Após o comercial ser exibido, Jonathan contou que considera ser o pior anúncio já criado dentro da FCB, mas os resultados são visíveis. As vendas da KFC aumentaram drasticamente desde que a campanha foi ao ar.

O filme diz que fritura é saudável, e grupos de nutricionistas e médicos criticaram duramente a campanha. Porém, nada puderam fazer, pois tudo o que é dito no anúncio foi provado ser verdade.

Jonathan contou que resolveram assumir os riscos e tiveram sucesso. Assim como no poker, o jogador moderado pode não perder muito, mas também nunca irá ganhar de quem arrisca mais. Jogar para não perder é um tiro na cabeça atualmente, os criativos devem correr o risco e apostar naquilo que acreditam.

:: Super Bowl e o mau-humor americano

Como
já sabemos, o intervalo da final do Super Bowl,
o campeonato de futebol americano, é um acontecimento de proporções
épicas para a publicidade nos EUA. Jonathan foi mais fundo, disse
que é praticamente um feriado familiar, pois parece que as pessoas
se reúnem mais na final do campeonato do que no Natal.

 

Mas não pensem que é tudo em nome do esporte, muitos consideram os comerciais mais importantes do que o próprio jogo. Na última temporada, a veiculação de cada anúncio no intervalo da final custou 2.5 milhões de dólares, mas segundo Jonathan, isso deve mudar para o ano que vem.

O motivo: os anúncios não geraram o feedback esperado, e pior, muitos ficaram com imagem negativa. O público americano não gostou das peças exibidas e se sentiram ofendidos com muitas delas.

Nessa altura, Jonathan exibiu dois comerciais da cerveja BudLight, da Budweiser, que trazem um humor besteirol, como um cavalo peidando na cara de uma moça e um cachorro que morde as “partes” de um homem. Apesar de serem engraçadinhos, o público americano não riu e a imagem da Budweiser foi afetada.

No ano que vem, anunciantes e agências deverão se perguntar: “Qual é o real benefício de se anunciar no SuperBowl?”.

Adilson Xavier, da Giovanni FCB, perguntou pra Jonathan, se os americanos não estão ficando muito ranzinzas e mau-humorados, já que se ofendem com tudo, desde o peito da Janet Jackson até o peido do cavalo. Isso estaria resultando numa comunicação chata e perguntou se os ataques terroristas e o medo do povo americano não seriam os responsáveis por isso.

Jonathan disse que sim. Além de os EUA serem um país ultra-conservador, ainda estão abalados com o terrorismo. Segundo ele, o mau-humor dos americanos é um passo pra trás na publicidade, e que provavelmente mais passos pra trás acontecerão.

Mais 3 comerciais do SuperBowl foram exibidos, um bastante engraçado da GM, outro um tanto quanto bobo da Fedex, e um hilário da Mastercard com o Homer Simpson.

:: O dinheiro é do cliente

Jonathan finalizou dizendo que apesar de termos que assumir os riscos, temos que lembrar que estamos jogando com o dinheiro dos outros. Quem paga é o cliente, mas a agência precisa trabalhar como se o dinheiro fosse dela própria.

E falando sobre o futuro da publicidade no mundo, Jonathan acredita que cada vez mais clientes irão querer minimizar custos e ter resultados imediatos. Segundo ele, isso não é ruim, mas vai nos exigir mais criatividade e melhores idéias.

Bom, acho que escrevi demais, mas hoje é só. Amanhã comentarei sobre a palestra da Judith Mair, CEO da agência Mair u. a. de Berlim, Alemanha, que rola hoje à noite.

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A hora do rush

Sábado, 27 de Março de 2004 | 17:30

“Rush Hour” é mais um daqueles comerciais ultra-premiados no mundo todo, mas que pouca gente teve a oportunidade de conhecer. E para que este filme se torne mais interessante do que aparenta ser, é preciso entender o contexto em que ele está inserido.

Criado pela agência britânica Abbott Mead Vickers BBDO para a BBC de Londres, o anúncio define um novo posicionamento da tradicional rede de TV inglesa.

Nele vemos um jovem que trabalha num escritório, terminando seu expediente na empresa. Ele tira a camisa e sai pela janela, escalando a parede para chegar até o topo do prédio.

Desafiando a própria morte num ato quase heróico, ele começa uma jornada através dos telhados de casas e edifícios. A razão dessa loucura é que ele quer fugir do congestionamento nas ruas para chegar em casa o mais rápido possível.

E o que ele faz quando chega em casa? Senta no sofá e liga a TV. Entra então a assinatura: “BBC One”. Não há texto, mas a mensagem embutida todo mundo consegue sacar: Vamos chegar em casa cedo para assistir a BBC.

Com o crescimento contínuo de novos canais de TV via sátelite e a cabo, a BBC estava perdendo vertiginosamente sua fatia de audiência no Reino Unido. E a tarefa do comercial é justamente mostrar uma BBC como sendo o canal favorito do público, o canal que todo mundo quer ver.

Uma infinidade de pesquisas realizadas pela Abbott Mead Vickers BBDO, diagnosticaram que a imagem da BBC perante o público estava totalmente fora da realidade transmitida por sua programação.

Os telespectadores enxergavam a BBC como um canal seguro, sólido, bem-feito e tradicional. Apesar da tradição ser um aspecto forte da rede, a realidade é que os programas do canal são alguns dos mais excitantes, ousados e antenados da televisão britânica.

E para mudar esses valores, mostrando a BBC como um canal empolgante, surpreedente e jovem, a idéia criativa foi dramatizar uma situação para falar da natureza imperdível da programação da rede inglesa.

A versão integral do anúncio tem 1 minuto e meio, o que na publicidade é a eternidade multiplicada por dois. Mas a BBC bancou, acreditou na idéia e colhe os resultados da campanha até hoje.

Esse case de sucesso foi reconhecido em várias premiações da publicidade mundial:

Uma medalha de ouro e uma de bronze no British Television Advertising Awards (BTAA) 2003
Prêmio de Edição para Johnathan Scarlett no First Boards Awards 2003
Prata no D&AD Awards 2003
Ouro no Art Directors Club of Europe Awards 2003
Vencedor do Kinsale - Festival Internacional de Publicidade da Irlanda 2002
Uma medalha de prata e duas bronze Advertising Creative Circle Awards 2003

Clique aqui para fazer o download do vídeo em formato .mpg. O arquivo tem 7.27 MB.

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O sonho acabou… (mas ainda temos pão doce)

Sábado, 27 de Março de 2004 | 16:42

É galera, não foi desta vez que o Brainstorm #9 chegou no TOP3 do Ibest. Mas valeu a participação e o orgulho do site ter ficando entre os 10 melhores blogs da web.

Parabéns aos classificados. E gostaria de agradecer as pessoas que votaram, pela paciência e pela consideração de acreditarem no trabalho que realizo aqui.

Obrigado.

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Num futuro não muito distante…

Sexta-feira, 26 de Março de 2004 | 12:50

Os movimentos anti-publicidade existem no mundo todo, é aquele velho blábláblá sobre mensagens que influenciam e persuadem a população inocente e ingênua.

Regras e mais regras. Não se pode anunciar nem isso, nem aquilo, e muito menos falar tal palavra em comercial. Frente a tudo isso, trago hoje aqui no Brainstorm #9 um texto do Fábio Fernandes, diretor de criação da F/Nazca.

Serve de reflexão e posterior discussão de vocês nos comentários. Será que a publicidade é tão culpada pelos problemas que a acusam, será que é mesmo um cadáver que nos sorri, como já disseram certa vez?

Acho que chegou a hora de governos e orgãos anti-publicidade pararem de tratar os consumidores como pessoas desprovidas de inteligência, bom senso e vontade própria…

“O fim da publicidade”

Num país distante, um sujeito estava vendo tevê. Passou um comercial de cerveja. O sujeito sorriu. Na verdade, gargalhou. Ele gostava de comerciais como aquele, com bom humor. Aí ele olhou para o lado e viu que seu filho tinha gostado também: “Legal esse né, pai?”. Concordou. E passou a odiar aquele comercial.

Como é que podia um comercial engraçado, agradar também ao seu filho, um imberbe menor de idade? Se eu, que sou inteligente para discernir entre o certo e o errado, quase gostei desse comercial como não estará a legião de pobres incautos consumidores?

Decidiu escrever uma carta para o Congresso. Algum deputado leu e concordou: inteligente, já havia pensado nisso. Fez um projeto de lei que foi votado e… pronto, salvou a sociedade: nunca mais haveriam comerciais de cerveja a infestar as ingênuas e influenciáveis cabecinhas.

Tempos depois, outro consumidor atento reparou nos comerciais de cosméticos. Ora, raciocinou, a busca pela juventude eterna, a celebração da estética, tudo em detrimento do conteúdo verdadeiro de nossas almas. Isso corrobora o abismo entre os despossuídos, que estarão irremediavelmente associados ao conceito do “feio” enquanto aos mais ricos caberá sempre a imagem de jovialidade, beleza e saúde. Solução: fim da propaganda de cosméticos em geral.

Todos aplaudiram no Congresso daquele país. Mas, eis que outro senador, igualmente inteligente (mais que a média da população daquele país, com tão poucos consumidores inteligentes), levantou outra questão. Se automóveis atropelam e matam, então melhor seria que não fossem anunciados para não despertarem nas próximas gerações a vontade de dirigi-los.

Foi por aclamação: aprovado. Assim como a emenda contra propagandas de hambúrgueres, e, já que esse era o assunto, de alimentos e restaurantes em geral, que era mesmo um despautério num país com tanta fome se admitir propaganda mostrando pessoas felizes comendo.

Aliás, por que as pessoas tinham que estar alegres na publicidade? Para despertar rancor nos entristecidos? E ficou proibido o sorriso na propaganda. No máximo seria permitida uma insinuação, de canto de boca.

E depois da meia-noite, já que os tristes dormem cedo. Alguém lembrou dos insones solitários. E cortaram do texto aquela liberalidade.

Propaganda de moda? Segregacionista. De sabão em pó? Racista, sempre que valoriza o branco. De banco? Pelo amor de Deus, será que ninguém ainda parou para ver o que está embutido nas mensagens dos comerciais de banco, gente? A sensação de que só com o dinheiro se pode ser feliz, lógico! Cartão de crédito? Este mês, até sem dinheiro, você pode ser feliz, caramba.

Nos jornais, a imprensa apoiava cada uma das medidas. Alguns jornalistas adoravam a idéia de que seus salários são integralmente pagos pelo leitor que compra jornal na banca: publicidade só enfeia o conteúdo editorial.

A sociedade acuada pela sórdida propaganda apoiava as medidas. E reclamava de toda publicidade que brincasse com qualquer uma das suas convicções pessoais. Gordo não pode, magro, também. Padre, freira, careca, viúva, estudante, feio, bonito, mais ou menos feio, surfista, narigudo… nem pensar. Satirizou homem, é feminista. Mulher, lógico, é machista. A sociedade estava de mau-humor.

Até que um dia, alguém na casa do vizinho sorriu. Na verdade, gargalhou. E o sujeito que ouviu aquilo, não se sabe por que, teve uma intuição de que aquilo poderia ter alguma coisa a ver com a *&*%#!+*# (a palavra ?propaganda? tinha sido proibida). Será que inventaram um câmbio negro de *&*%#!+*# e o meu vizinho conseguiu com traficantes uma fita de vídeo cheinha de *&*%#!+*#s engraçadas?, pensou o formador de opinião. Pelo sim, pelo não, chamou a polícia.

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Tudo é grande dentro de um MINI…

Terça-feira, 23 de Março de 2004 | 16:03

Os carros da MINI são conhecidos pelo seu tamanho diminuto. As campanhas publicitárias criadas para o veículo quase sempre enfatizam a facilidade de se estacionar e a praticidade de se entrar em qualquer lugar, mas sem deixar de lado a potência do carro.

Criados pela Crispin Porter + Bogusky de Miami, estes outdoors que trago aqui hoje demonstram como o MINI é pequeno, e de uma forma bem palpável para o público.

A idéia aqui foi colocar versões em tamanho gigante de vários objetos ao lado das peças. Uma lata de lixo, um orelhão e uma máquina de jornais, tudo desproporcionalmente grande comparados a nossa realidade.

O título dos outdoors diz: “Fazendo tudo o que você vê parecer grande demais”. Além do excelente conceito, imaginem como não deve chamar atenção encontrar uma lata de lixo imensa na rua, por exemplo.

Uma maneira inusitada de passar a mensagem e fazer as pessoas enxergarem a campanha em meio a tantos outros anúncios espalhados pelas ruas.

Os outdoors foram ganhadores do prêmio máximo no último Festival de Londres.

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Paixão, do latim sofrimento

Domingo, 21 de Março de 2004 | 21:54

Tenho lido muitos críticos dizerem que a “A Paixão de Cristo” não passa de um snuff film, pois se concentra apenas em mostrar o calvário e cenas explícitas de violência gráfica. Discordo. Na minha opinião, a violência contida no filme não é de forma alguma gratuita, e não duvide, ela contém uma mensagem, mais forte do que eu imaginava.

Vemos Cristo ser espancado, chicoteado e ter partes de sua carne removidas por garras de metal, tudo a fim de ilustrar o martírio de forma realista e chocante. Mel Gibson fez o filme como quis, foi fiel ao “roteiro original” e faz questão de dar closes em cada detalhe. Claro que após certo tempo começamos a ficar anestesiados com a violência, mas a ferida moral continua sempre aumentando.

Definitivamente, não é um filme para quem tem estômago fraco. Gibson não poupa o espectador dos detalhes sórdidos, como o som de ossos quebrando, por exemplo. E funciona: o sofrimento contido no filme é palpável e terrível.

Mas ao mesmo tempo, não podemos acusar Gibson de ser apenas técnico e abusar das cenas violentas, já que chocar foi exatamente a sua intenção e a maneira encontrada para nos causar reflexão.

Não estou aqui para discutir o aspecto religioso, e nem sou a pessoa mais indicada para isso. Mas a história mostrada no filme todo mundo já conhece e dispensa a apresentação de seus personagens. Porém, é impossível ficar indiferente ao que é mostrado na tela.

A comoção é geral. Fiquei surpreso ao ver que todos na sala de cinema se mantiveram em silêncio durante toda a projeção do filme, e ao final, todos sairam calados, perplexos com o que tinham acabado de assistir.

O impacto é grande. Tanto pela história em si, como pela maneira que Mel Gibson reproduziu isso na tela. E tudo colabora para impactar, tanto pela maravilhosa direção de arte que recria cada detalhe da antiga Jerusálem, como pela magistral fotografia de Caleb Deschanel, proporcionando momentos de pura poesia cinematográfica.

O uso da camêra lenta também é sábio, dando a dramaticidade necessária a certas cenas, como quando os soldados prendem Jesus no jardim e quando Judas tenta agarrar o saco de moedas.

Numa espécie do que podemos chamar de “Os melhores momentos de Cristo”, diversas cenas de flash-back embutidas no filme servem para dimensionalizar Jesus, nos mostrando como era o homem que está ali sendo torturado. Uma das cenas de maior emoção é quando Maria vai ajudar seu filho durante a Via Crucis, e se lembra de um momento da infância de Jesus.

Outra cena que me impressionou pela beleza técnica, é aquela em que Maria Madalena está prestes a ser apedrejada, e aparece um dedo riscando na areia e momentos depois ela segurando no pé de Jesus.

Uma personagem que eu achei muito interessante no filme, foi o próprio diabo, representado aqui por uma mulher. Vemos o demônio no jardim, conversando com Jesus, tentando-o convencer de que aquilo pelo qual ele vai passar não vale a pena.

O diabo segue Jesus durante todo o filme, e amaldiçoa aqueles que traem Cristo. A cena das crianças malhando Judas é particularmente assustadora. Em nenhum momento vemos satanás como uma figura ruim, apenas alguém que acha que não devemos nos conformar com a situação.

Uma das maiores polêmicas fica em relação ao suposto anti-semitismo do filme. “A Paixão de Cristo”, assim como na obra em que é baseado, a Biblía, deixa claro que sim, foram os judeus culpados pela morte de Cristo. Porém, em nenhum momento o filme condena toda a comunidade judaica por isso.

Ao mesmo tempo que mostra Caífas exigindo a crucificação de Jesus, mostra outros integrantes do povo judeu dizendo que não há provas para isso. Na verdade, quem se diverte com os açoites a Jesus são os romanos, e não os judeus. Acusar o filme de ser anti-semita, seria o mesmo que dizer que todos os alemães são culpados pelo holocausto.

Não há nenhum diálogo no filme que acentue o anti-semitismo, pelo contrário, faz até questão de indicar Jesus como “Rei dos Judeus”. A própria Bíblia é mais anti-semita do que o filme de Mel Gibson.

A atuação de Jim Caviezel é excelente, nos demonstrando o sofrimento e a serenidade de Jesus. Aliás, cabe dizer que no ótimo “O Conde de Monte Cristo”, Caviezel já havia sido extremamente emocionante e realista em seu personagem. Maia Morgenstern no papel de Maria também está perfeita.

Após 2 horas de tortura, o final de “A Paixão de Cristo” reserva um momento especialmente belo. A ressurreição de Cristo é mostrada numa linda tomada e finaliza o filme de modo a nos deixar refletindo sobre tudo o que aconteceu. É isso que acontece com quem assiste: reflexão.

O maior mérito de “A Paixão de Cristo” é não cair no lugar comum, de nos mostrar uma história açucarada e carola. Aqui, o que mais é levado em conta é a dor de um homem injustiçado, aceitando o seu destino e ainda rezando por aqueles que o fazem sofrer, e também a dor de uma mãe que assiste o sofrimento de seu filho, tendo de aceitar que a morte da pessoa que mais ama faz parte de um plano maior, que está acima de nossa vontade.

Por isso discordo quando dizem que a mensagem de Jesus não está contida no filme. Ela está lá sim, clara, e vai muito além das duas horas e dez minutos de projeção. E hoje, após o filme, eu tenho ainda mais certeza de que a humanidade não entendeu “porra” nenhuma do que Jesus falou.

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Um bebê e sua tração Quattro

Domingo, 21 de Março de 2004 | 12:31

Para variar, mais um comercial da Audi neste blog. Juro pra vocês que eles não me pagam um tostão pra isso (se bem que um carro de presente não seria nada mal), mas não há como não comentar as maravilhas criadas para a fábrica alemã.

A bola da vez vem da França, mais propriamente da LouisXIV-DDB de Paris. Intitulado de “The Baby”, o anúncio foi criado únicamente para falar da famosa tração Quattro da Audi.

Desenvolvido em 1980, foi o primeiro sistema de tração integral. E porque a Quattro é tão famosa? Porque foi a primeira vez em que um automóvel teve sucesso com as quatro rodas tracionando todo o tempo, antes um privilégio de utilitários.

Até a chegada do Audi Quattro, considerava-se a tração 4×4 tão desnecessária quanto prejudicial a um carro projetado para o asfalto, pois os sistemas disponíveis eram caros, pesados e pouco eficientes.

Entendeu porque esse “pequeno” detalhe da Audi merece tanta atenção? Aliás, cabe dizer que a tração Quattro já foi a protagonista de inúmeros anúncios da fábrica alemã, assim como acontece no “The Baby”.

Nele, vemos um bebê tentando andar, porém, sem sucesso. A mãe ajuda, o pai chama, mas não adianta muito. A criança levanta, dá poucos passos e volta a cair no chão.

O bebê não consegue sair do lugar. Mas depois de inúmeras tentativas, acaba descobrindo o segredo. Ao invés de duas “ferramentas”, resolve usar as quatro que tem em seu corpo. Com os pés e as mãos no chão, ele engatinha até onde quer chegar.

Simples não? Um bebê engatinhando para demonstrar a eficiência da tração Quattro. Uma analogia sensacional. Isso sem falar que bebês engraçadinhos agradam muita gente.

O filme foi feiculado pela primeira vez em Janeiro deste ano, e não duvido que vai estar concorrendo no próximo Festival de Cannes.

Clique aqui para fazer o download do vídeo em formato .mpg. O arquivo tem 2.45 MB.

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