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A mídia social da pequena e média empresa

Há algum tempo, venho pensando nas pequenas e médias empresas e sua relação com as Mídias Sociais. Claro, temos aqui como colaborador o Bob Wollheim, empreendedor que poderia até falar com mais autoridade a respeito de suas descobertas para a ResultsON, mas queria falar mais de empresas com negócios um pouco menos inovadores, por assim dizer, do que as startups de tecnologia que são pauta mais freqüente por aí.

Por isso, conversei com três amigos, com negócios distintos: o Erik Momo toca a 1900, pizzaria aqui de São Paulo criada em 1983 por sua família e, hoje, uma (na verdade, cinco) das casas mais requintadas quando o assunto é pizza; o Rodrigo Zapico estudou comigo na ECA-USP, mas preferiu a fotografia e especializou-se em fotografia de casamentos; o Maestro Billy é DJ e produtor musical e mantém, junto com sua mulher Mafê, o Estúdio Mellancia de produção de áudio.

Em comum, seu core business não é exatamente uma novidade no mundo, mas os três experimentaram o relacionamento mais direto com clientes, prospects ou formadores de opinião pelas Mídias Sociais e, em maior ou menor escala, possuem resultados interessantes para compartilhar.

Outra coisa em comum é o fato de todos eles ainda se enquadrarem em Pequenas ou Médias Empresas. Sobre as pequenas empresas, há dados interessantes do IBGE (talvez um pouco ultrapassados por serem de 2002, mas não muito distantes, devido à curva de evolução dos números desde os anos 80) sobre sua participação na economia do país: correspondem a 22% da receita gerada por todo o setor de comércio e serviços do país, mas respondem por mais de 60% dos empregos formais. Não são poucas as análises que apontam na reforma tributária à micro e pequena empresa uma grande saída para a geração de empregos no Brasil.

Incluo aqui também uma Média Empresa, a 1900, devido a um único fator que a torna comparável às Pequenas Empresas: seu orçamento publicitário anual não representa uma conta interessante às grandes agências, isto é, não se trata de uma quantia exorbitante para ser queimada em mídia e fazer o círculo veículo-BV-agência funcionar com grandes resultados. Não significa que a empresa gaste pouco, mas significa que ela não se pode dar ao luxo de gastar mal.

Como eles andam utilizando as Mídias Sociais para se aproximar de seus clientes?

- Da experiência pessoal para o perfil da empresa

Todos apontam o uso pessoal como primeiro contato. “Éramos nerds, usávamos CP500, TK82, TK85, AppleII e seus vários clones. Aprendemos a desenvolver a curiosidade e fizemos muita coisa com as precárias ferramentas que tínhamos. Videotexto, BBS, etc. Era a ‘internet’ da época” – conta Momo, que em uma discussão com amigos, soube do Twitter e que eles já haviam embarcado na onda. “Pensei ‘Eu estou fora! Não estou honrando minha turma! Preciso entrar e ver o que é’”. A febre do Orkut e a onda dos blogs também foi lembrada como um início do contato com estas novidades. “Voltei a me satisfazer por poder escrever os textos que tanto gosto e publicá-los por aí” – diz Zapico. Billy completa a idéia: “naquele momento (febre do Orkut) não sabíamos o tamanho que isso teria na nossa vida empresarial.”

Uma vez ambientados, a conclusão de utilizar tais canais para os negócios foi clara. Os perfis no Twitter pessoais geraram os perfis da empresa, de contato direto com o público. Mas não parou no Orkut, nos blogs ou no Twitter: Facebook e até o Ning também entram no discurso.

E como foi o primeiro impacto da experiência? Billy falou a respeito da crítica: “Numa busca no Twitter, achei um @ falando mal de uma dos programas web que cuidamos. Começei a seguí-lo e perguntei por que ele não gostava e ainda falava mal do produto. Na hora houve uma mudança de atitude. No final ganhei mais um ouvinte contente pela resposta e rapidez no contato direto”. Momo explicou um pouco da experiência com a crítica pela 1900: “Se alguém escreve algo sobre a 1900, qualquer um pode ler. O lado bom disso é que os elogios são compartilhados, mas as reclamações também”.

A transparência, quando se fala em comunicação de empresas, também é uma experiência bastante nova. “Ao entrar em contato com um cliente que reclama, você expõe suas falhas a todos os seus seguidores”, relata Momo, que fala em maior responsabilidade sobre o que se fala. “Uma vez escrita, por mais que se apague da sua timeline, ela (a mensagem) deixa vestígios” – e completa - “99% das informações são publicadas por mim e procuro fazer com cuidado para não deixar um texto com possível erro de interpretação”. Zapico conta sobre o relacionamento com suas clientes: “Não é nada difícil ter noivas me adicionando no Facebook e Orkut. Portanto ‘andar na linha’ e ser ‘politcamente correto’ nas mídias sociais é quase uma obrigação”.

- Resultados: contatos virtuais viram contatos reais. E trazem oportunidades

Billy é enfático quando fala sobre a experiência. “Excelente”. E completa: “Muitos contatos virtuais viraram contatos pessoais e consequentes novos clientes”.

Zapico e Momo falam sobre o contato com pessoas de fora de São Paulo. “Recentemente, recebi uma cotação de uma noiva da Bahia que havia visto um tweet de um dos meus seguidores comentando a respeito de fotos de casamento. Entrou em contato comigo e, dois e-mails depois, fechamos contrato para cobertura de seu evento em Salvador” – explicou Zapico. Momo diverte-se: “Há seguidores de clientes de fora de São Paulo que estão se organizando para virem conhecer a 1900, de tanto ouvir falar”.

- E o que interessa aos comunicólogos de plantão?

Se hoje tocam suas iniciativas em Mídias Sociais sozinhos, o futuro pode reservar alguma alocação de verba para melhorar o trabalho de comunicação online. “Atualmente, anuncio apenas em um guia de alto padrão e Google AdWords. No futuro, havia planejado a criação de um canal no YouTube para veiculação de filmes que ajudem as noivas na escolha de todos os profissionais do casamento.” – conta Zapico, que afirma – “Na verdade, seria interessante algo específico para esse tipo de mídia, sim”.

Momo vai ainda mais longe: “A publicidade vai mudar totalmente”. O futuro pode reservar um CRM online bem apurado: “Com base em histórico de consumo (sua própria base), preferências pessoais e hobbies (Facebook, Orkut) e locais frequentados (Foursquare), pode-se acertar perfeitamente o que cada cliente espera”. “A 1900 não tem um planejamento tradicional, mas já começamos 2010 com um direcionamento muito claro para Mídias Sociais”.

Billy conclui: “É a hora de começar a procurar um planejamento mesmo. Temos que pensar e agir de forma mais especifica para alcançar melhor e mais rápido os objetivos propostos pelo relacionamento nas Mídias Sociais”.

Não sei se algo aqui foi exatamente uma novidade, mas considerando que não estamos falando de empresas de tecnologia, o conhecimento da causa impressiona. Com certeza, há neste grande bloco de empresas muitas vezes ignoradas pelas agências grandes com áreas modernetes grandes oportunidades de comunicação muito bem feita, com chances de realmente tocar as pessoas como aqueles casos que vemos no exterior, mas que geralmente só funcionam no mundo mágico dos videocases.

Estou convencido que algumas das vagas que pequenas e médias empresas gerarão são voltadas a profissionais de comunicação. Considerando que este Eldorado de Mídia Social possui mais de 15.000 “Social Media Experts” por auto-definição, quem sabe não sejam 15.000 experts devidamente empregados num futuro próximo?

11 Responses to “A mídia social da pequena e média empresa”

  1. sftmchn disse:

    Boa Luiz.
    Excelente post, realmente mostrando um futuro promissor a todos.
    Abraços.
    SFTMCHN

  2. rafazk disse:

    Eita orgulho do Zapico!!! E ele com certeza é um bom exemplo pra matéria! Matou a pau!

  3. abigails disse:

    A importância das mídias sociais de fato não é só para grande empresas se torna uma alternativa eficaz e sem custos exagerados para pequenos anunciantes. Ótimo post, meu TCC é sobre este tema, o prjeto está aqui: http://www.slideshare.net/jenydesign/redes-sociai

  4. Diego M. disse:

    Parabéns pelo post. Aqui no interior por uma questão financeira, as pequenas ações de internet estão ganhando valor e trazendo ótimos resultados para micro e pequenas empresas, desde de pizzarias a casas noturnas – e o relacionamento está criando um banco de dados que dinheiro nenhum comprará! abs!

  5. Acho tão importante esse relacionamento virtual com clientes, com colegas de profissão e manter-se on-line que há alguns meses comecei a investir mais tempo em ações específicas nas comunidades virtuais. E tive oportunidade (através do @focoestudio) de fechar alguns ensaios fotográficos e fotografia casamento na europa através apenas do blog e twitter. Realmente não há como pensar ações sem considerar as redes sociais.

  6. Maite Lemos disse:

    Valeu a leitura do post.
    O problema é imaginar este cenário de micro e pequena empresa no interior. Ou aqui no sul do mundo.
    O negócio ainda está bem difícil, mas não tenho dúvidas de que um dia a onda chega. :)

  7. Letícia disse:

    Excelente post, sempre vejo apresentações de trabalhos bem sucedidos em mídias sociais são para grandes empresas e muitas vezes eu pensava e as pequenas e médias? Muito bacana e acho que essa discussão ainda tem bastante espaço.

    Até

  8. Honra imensa ter em meu círculo de amigos, e mais, de exemplos o Dr. Luiz Yassuda.
    Quando do interesse sobre a e-entrevista para este post, garanto que fiquei um tanto quanto apreensivo, embora relamente empolgado pela procura.
    Nos tempos de ECA, era sempre uma grande biblioteca pós-moderna falar com o Yassuda sobre este tipo de convívio social moderno…discussões proveitosas que hoje vieram a tornar-se um post de um veículo como esse. Super bacana mesmo.

    E pensar que há 2 anos nem blog, nem facebook, nem twitter….ê laiá…vivendo e aprendendo mesmo!

    #orgulhopracaralho.

  9. Rafael Martins disse:

    Excelente post, finalmente alguem olha para os pequenas e medias empresas. Trabalho em uma consultoria que atende justamente este perfil e como é dificil encontrar cases bem sucedidos por ai. Ou fala-se dos grandes, ou dos nichos premium.

  10. Francisco disse:

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    Para mim esse post foi uma grata surpresa, uma vez q o brain, desd os tempos primordios, trabalha muito com o lado glam da publicidade, diferente da grande realidade brasileira d comunicação, onde imperam as médias/pequenas empresas e a comunicação é feita com verbas muito restritas e bastante criatividade.
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    Como o amigo de alguns posts acima, trabalho com publicidade para empresas q tem o público alvo clientela da Nova Classe Média Brasileira ( classe C ) e o estudo d cases, de fato, é complicado.

  11. Diogo Abdalla disse:

    Acho sensacional essa relação. Já consegui e aprendi muitas coisas pelas redes, e aprendi muito com as pessoas que encontrei nela. É muito maluco quando você esbarra a vida "virtual" com a vida "real". Continuo amando essas descobertas, trabalho com isso, e quero continuar criando novas relações entre os clientes da agência e os públicos. São trocas MUITO interessantes e promissoras. Parabéns pelo post! =)

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